Astana vs Sporting | “Leão” arrasa em oito minutos

O Sporting deu um passo de gigante rumo aos oitavos-de-final da Liga Europa.

Os “leões” começaram a partida em Astana com o pé esquerdo, ao sofrer um golo cedo, sem nunca encontrar forma de aplicar com eficácia as transições ofensivas nem de lidar com a pressão contrária. Porém, um reinício irresistível de segunda parte permitiu à equipa portuguesa marcar três golos em apenas oito minutos, terminando o jogo com um ascendente claro em relação ao emblema do Cazaquistão e um resultado de 3-1 no “bolso”.

O Jogo explicado em Números

  • O início do Sporting não poderia ser pior. Logo aos sete minutos, o Astana colocou-se em vantagem. Igor Shitov apercebeu-se de uma desatenção colectiva por parte dos “leões”, fez um passe longo para Marin Tomasov e este rematou de pronto para o 1-0. O Sporting até tinha mais bola nesta fase (55% de posse), mas a verdade é que os cazaques marcaram ao terceiro remate, segundo enquadrado, enquanto o Sporting ainda não havia tentado o disparo.
  • Reacção muito ténue do Sporting, que chegou aos 20 minutos com apenas um remate (enquadrado) e 51% de posse. Mas a lidar muito mal com a pressão forte dos homens da casa, pelo que não passava dos 78% de eficácia de passe.
  • À passagem da meia-hora, Bruno Fernandes era o único a demonstrar tranquilidade na equipa do Sporting. O médio registava um remate, enquadrado, dois passes para finalização, para além de dois dribles eficazes em duas tentativas, três desarmes e 31 acções com bola – o máximo da partida.
  • O jogo prosseguiu da mesma forma e, perto do descanso, os “leões” continuavam a dominar a posse, mas sem conseguirem definir transições rápidas, mercê da grande pressão contrária. E na área, Seydou Doumbia era presa fácil nos cruzamentos para os defesas do Astana.
  • O péssimo começo de jogo do Sporting, como que apanhado desprevenido pela pressão e intensidade de jogo do Astana, justificam a desvantagem ao descanso. O emblema luso teve mais bola no primeiro tempo (56% de posse), mas nunca conseguiu soltar as transições rápidas, pois o passe para esses movimentos ou era interceptado ou realizado de forma deficiente, devido à pressão contrária. Assim, os “leões” chegaram ao intervalo em superioridade em quase tudo, menos no mais importante: nos remates e no número de golos. O melhor na etapa inicial foi Bruno Fernandes, muito acima da média em relação aos colegas. O seu GoalPoint Rating de 6.9 reflectia dois remates (ambos enquadrados), três passes para finalização, 47 acções com bola, o máximo do jogo, e dez vezes o esférico colocado na área contrária (três era o registo máximo seguinte).
  • O melhor reatamento possível para o Sporting. Bruno Fernandes coroou a boa exibição com o empate, aos 48 minutos, de grande penalidade, a castigar mão na bola de Yuri Logvinenko. E aos 50 o “leão” deu a volta ao marcador, com Gelson Martins a marcar na sequência de um cruzamento da esquerda de Marcos Acuña.
  • O Astana parecia querer reagir, mas o Sporting conseguia, finalmente, soltar as transições e Acuña voltou a subir pela esquerda e centrar para novo golo leonino, desta vez com Doumbia a concluir tranquilamente.
  • Em apenas oito minutos o Sporting sentenciava praticamente a eliminatória, três golos em três remates, uma eficácia perfeita dos homens de Alvalade, que por volta dos 60 minutos não iam além dos 44% de posse. O jogo mudou por completo, até nas estatísticas, e o Astana era punido com as mesmas armas que apresentara no primeiro tempo.
  • Tarefa mais facilitada ainda para o Sporting aos 62 minutos, com Logvinenko a ver o segundo cartão amarelo e consequente vermelho. O central fez o penálti para o 1-1 e ainda foi expulso pouco depois.
  • Nenad Eric negou o segundo golo a Gelson aos 74 minutos, numa altura em que o Astana parecia resignado. Os “leões” dominavam e controlavam o jogo, com 70% de posse no segundo tempo, seis remates, quatro enquadrados e nenhuma falta cometida nos primeiros 30 minutos do segundo tempo.
  • O Sporting conseguiu, assim, uma reviravolta histórica, a primeira na Europa após estar a perder ao intervalo, graças a uma segunda parte categórica onde foi superior em tudo: mais remates, mais enquadrados, mais ocasiões flagrantes e posse de bola, em suma, um triunfo plenamente justo.

O Homem do Jogo

Mesmo no pior momento do Sporting no jogo, nos primeiros 30 minutos, Bruno Fernandes esteve sempre um patamar acima dos demais. E quando a equipa começou a funcionar bem, logo após o intervalo, a exibição do português melhorou ainda mais. O médio foi o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 8.6, fruto de números muito acima da média. Para além do golo que marcou, Bruno Fernandes rematou seis vezes, quatro delas enquadradas, fez uma assistência em quatro passes para finalização, cinco cruzamentos (um certo), teve sucesso nas suas tentativas de drible e colocou a bola 13 vezes na área contrária.

Jogadores em foco

  • Gelson Martins 6.9 – O extremo regressou às grandes exibições e foi fundamental no triunfo leonino. Fez o 2-1 e esteve endiabrado, com quatro dribles completos em seis tentativas, um deles dentro da grande área contrária. Um quebra-cabeças.
  • Seydou Doumbia 6.6 – Andou perdido no primeiro tempo, tal como toda a equipa leonina, emparedado entre os centrais contrários. No segundo tempo os “leões” arranjaram espaço para as transições e, solto, o ponta-de-lança esteve perigoso, com um golo, um passe para finalização e dois dribles eficazes.
  • Marcos Acuña 6.2 – Tal como Doumbia, o argentino também esteve mal na primeira parte. Porém, com os tais espaços criados, o extremo arrancou dois cruzamentos que acabaram em assistências para dois golos. E ainda teve sucesso em três de sete tentativas de drible.
  • Rui Patrício 6.2 – O guardião leonino teve uma primeira parte com muito trabalho, mas apenas por uma vez não conseguiu travar o ataque do Astana. No final, Patrício registou quatro defesas, três delas a disparos de fora da área.
  • Nenad Eric 6.8 – O melhor jogador do Astana foi o seu guarda-redes. Após um primeiro tempo relativamente calmo, no segundo teve de se aplicar a fundo, não evitando três golos na sua baliza, apesar das sete defesas que realizou, quatro delas a remates dentro da sua área.

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