Assembleia-Geral do BPI novamente suspensa

Fernando Veludo / Lusa

Fernando Ulrich, CEO do BPI, acompanhado pelo chairman do banco Artur Santos Silva, na Assembleia geral de acionistas do BPI

Fernando Ulrich, CEO do BPI, acompanhado pelo chairman do banco Artur Santos Silva, na Assembleia geral de acionistas do BPI

A assembleia-geral do BPI para discutir a desblindagem de estatutos foi suspensa esta terça-feira, pela segunda vez, e adiada para dia 21 de setembro.

A reunião magna arrancou cerca das 10h (hora de Lisboa) na Fundação de Serralves, no Porto, e terminou ainda antes das 11h, sendo que daria continuidade à anterior reunião de 22 de julho, que havia já sido suspensa por 45 dias.

A suspensão desta terça-feira acontece por proposta do espanhol CaixaBank, o maior acionista do BPI, com 45% do capital social, após ter sido conhecido que um tribunal aceitou a providência cautelar apresentada em junho pelo acionista Violas Ferreira Financial – o maior acionista português do BPI – que impede que seja votada a proposta de alteração de estatutos apresentada pelo Conselho de Administração do banco

Atualmente, cada acionista do BPI só pode votar no máximo com 20%, independentemente da participação que detenha.

Isto faz com que, apesar de os espanhóis do Caixabank terem 45% do banco, estes estejam, na prática, em situação de paridade com a angolana Santoro, que tem 18,6%, uma participação que se associa aos 2,28% do Banco BIC, uma vez que ambas as empresas têm Isabel dos Santos como acionista de referência.

As ações do BPI fecharam na segunda-feira a cair 3,04% para 1,09 euros.

Intranquilidade

O presidente do Banco BPI, Artur Santos Silva, afirmou que é com “intranquilidade” que é vivido o impasse que atualmente existe no banco e que é fundamental para o futuro que o assunto se resolva rapidamente.

Artur Santos Silva adiantou que o pedido de suspensão da reunião magna, proposto pelo CaixaBank, foi aprovado com 91% dos votos, com 8,9% contra, o que considera que “revela a vontade maciça dos acionistas para que este assunto se resolva logo que haja decisão judicial“.

“Todos sentimos uma grande intranquilidade por este assunto, que é fundamental para o futuro do banco, não estar resolvido. Compreendo que acionistas, e não só o CaixaBank, sintam intranquilidade por não estar decidido”, afirmou o fundador e chairman do banco na conferência de imprensa que se seguiu à assembleia-geral do banco que decorreu hoje no Porto.

Santos Silva respondia assim à questão dos jornalistas sobre a notícia de segunda-feira do jornal digital espanhol El Confidencial, que referia que o presidente da CriteriaCaixa, acionista maioritário do CaixaBank, Isidro Fainé, “pondera muito seriamente retirar a proposta de compra, face ao novo obstáculo judicial surgido para controlar o terceiro banco luso”.

O fundador do banco disse ainda que, sobre esse assunto, só viu uma notícia e não qualquer informação oficial do banco catalão e garantiu que, apesar do que se passa, “o banco continua bem e o funcionamento continua a correr normalmente”.

ZAP / Lusa

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