As alterações climáticas estão a fazer com que as flores desabrochem um mês mais cedo

yamchild / Flickr

Cidade norte-americana de Lake Elsinore

Cientistas procederam à comparação de informações de centenas de milhares de espécies que constavam numa base de dados comum.

Era uma consequência provável das alterações climáticas e aquecimento do planeta, mas agora está confirmada pela ciência. As flores estão a começar a rebentar mais cedo, cerca de um mês antes da altura normal expectável. Este é um fenómeno que muitos podem apreciar, mas que tem impacto nos ecossistemas, por muito citadino que seja o ambiente em causa. De acordo com investigadores da Universidade de Cambridge, os insetos e os pássaros são as primeiras criaturas a sentir o impacto.

De facto, a chamada desadequação ecológica pode começar a entrar em ação, o que teria um “efeito dramático no funcionamento e produtividade” da natureza e da agricultura, disse Ulf Buntgen, o principal autor de um novo estudo sobre o tema. “O nosso sistema climático está a mudar de uma forma que nos afecta a nós e ao nosso ambiente”, disse ele à BBC News.

A chave parece estar agora na capacidade de as espécies, sejam de plantas ou de animais, se adaptarem às novas condições. É para um desfecho negativo – o da não adaptação – que muitos cientistas alertam, uma vez que com as espécies dessincronizadas as consequências seriam maiores, num cenário de desencontro ecológico.

O pólen, os néctares, as sementes e as frutas são importantes recursos para insetos, pássaros e outros membros da vida selvagem. Caso as flores comecem a desabrochar demasiado cedo, estas podem, por exemplo, ser atingidas por geadas, o que impossibilitaria a colheita de frutos.

O estudo em causa partiu da observação e análise das datas de florescimento de centenas de milhares de árvores nativas, arbustos, trepadeiras e ervas registadas numa base de dados, na qual os cidadãos também podem participar, conhecida como Nature’s Calender e que inclui dados relativos a todo o Reino Unido. Posteriormente, os cientistas compararam as datas das primeiras ocorrências, tendo chegado à conclusão de que existe uma relação entre o florescimento precoce e a subida das temperaturas a nível global.

Para equilibrar o número de observações, os autores do estudo dividiram os dados desde os o seu aparecimento até 1986 e a partir daí em diante, concluindo que, em média, e no período compreendido entre 1987 e 2019, as flores estavam a nascer quase um mês mais cedo, em comparação com o intervalo entre 1753 e 1986. Há ainda casos em que o florescimento acontece 32 dias antes do que era habitual.

  ZAP //

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