Arrufos nos balneários, corrupção e possíveis saídas dos “mercenários” Messi e Neymar. O que se passa no PSG?

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Peter Powell / EPA

O projecto de conquista da primeira Champions para o PSG voltou a falhar, com a eliminação do clube frente ao Real Madrid nos oitavos. A derrota está a expor vários problemas nas estruturas dos parisienses.

Mais um ano, mais uma saída prematura do PSG da Liga dos Campeões. A equipa de Messi, Mbappé e Neymar trazia uma vantagem de 1-0 de Paris e até marcou primeiro no Santiago Bernabéu, mas acabou por cair perante um Benzema inspirado, que marcou três golos e garantiu a passagem do Real Madrid para os quartos.

Desde a derrota por 3-1 na quarta-feira, a crise no clube detido pelo Qatar — que já investiu 1,4 mil milhões de euros em busca da glória europeia e ainda não teve sucesso — tem feito correr muita tinta pela imprensa desportiva.

Logo a seguir ao jogo, a Marca noticiou que teria havido uma discussão acesa no balneário entre Neymar e Donnarumma, depois do craque brasileiro ter alegadamente pedido satisfações ao guarda-redes sobre o erro que deu origem ao primeiro golo dos merengues, tendo os colegas de equipa separado os dois.

O italiano terá alegadamente respondido culpando uma perda de bola de Neymar pelo segundo golo de Benzema. Entretanto, o brasileiro negou no Instagram que a briga tenha acontecido e mostrou uma troca de mensagens que teve com o guarda-redes.

“Olá Ney. Lamento o que aconteceu ontem. Esta notícia é inaceitável“, escreveu o italiano. “Amigo! Isto pode acontecer no futebol… Somos uma equipa e estamos contigo. És muito novo ainda e ainda vais ganhar muita coisa! Levanta-te e seguimos. Abraço”, respondeu Neymar, acusando os jornalistas de serem “incompetentes”.

Para além da suposta desavença entre Neymar e Donnarumma, foi ainda noticiado que Leonardo, director técnico do PSG, e Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube, tentaram invadir o balneário dos árbitros e fizeram ameaças devido ao lance que deu origem ao primeiro golo de Benzema, reclamando uma falta por assinalar sobre Donnarumma.

Quando Danny Makkelie, que apitou o jogo, lhe pediu para saírem, os dois terão bloqueado a porta e o presidente terá partido a bandeirinha de um dos assistentes. Uma delegada de jogo do Real Madrid terá depois chamado a segurança.

Al-Khelaifi terá ainda ameaçado de morte um funcionário do clube espanhol que estava a gravar os bastidores do jogo e acabou por registar em vídeo o ataque dos responsáveis parisienses aos árbitros.

A UEFA já abriu um inquérito e pediu as imagens recolhidas ao Real Madrid, sendo que Leonardo e Al-Khelaifi podem vir a ser sancionados pelo corpo disciplinar.

Renovação no plantel à vista?

Depois de em 2020 ter perdido na final frente ao Bayern de Munique e de ter caído nas meias em 2021 frente ao Manchester City, o projecto europeu do Paris Saint-German tem ficado aquém do esperado.

A contratação de Messi no último Verão, assim como a de outros craques como Sérgio Ramos, Gianluigi Donnarumma ou Achraf Hakimi, deram a esperança aos parisienses de que este seria finalmente o seu ano na Champions.

Mas não foi. E após a eliminação frente ao Real Madrid, fala-se agora de uma reestruturação total do plantel.

Kylian Mbappé já é o centro dos rumores de saída desde o Verão e esta saída precoce da Champions pode ser o puxão que falta para que o astro francês concretize mesmo o seu sonho de infância de se juntar precisamente aos los blancos.

O jovem avançado vai ficar livre na próxima janela de transferências e tudo indica que nem a proposta milionária do PSG para um novo contrato — que valeria 50 milhões de euros por ano e o tornaria o jogador mais bem pago do mundo — o deve dissuadir de uma mudança para Madrid.

E se os parisienses querem fazer de tudo para segurar Mbappé, que foi o único a fazer abanar as redes de Courtois e marcou os dois golos do clube frente ao Real, parece que o clube já não faz tanta questão que os outros dois astros do ataque — Messi e Neymar — continuem a representar o emblema.

Jérôme Rothen, antigo jogador do PSG entre 2004 e 2010, inclusive já apontou o dedo aos dois jogadores e culpou-os pela eliminação, acusando-os de serem “mercenários” e de terem de assumir a responsabilidade pela derrota.

“Não ataco Verratti, Danilo, Paredes, Mbappé. Este foi o único que foi perigoso em ambos os jogos. Estou a atacar os outros dois, os dois mercenários. Um é uma fraude desde que chegou. Até me dá vergonha falar do Messi assim, mas é a realidade. Ele só se passeia em campo. Dizem que ele se esforçou para recuperar uma bola. Estão a gozar comigo ou quê? Fez esforços de dez metros”, detonou.

Já “o outro” perdeu todas as bolas. “Digo o outro porque até me chateia mencionar o seu nome. Desde que está ali é um desastre. E isto em menos de 50% dos jogos do PSG”, criticou Rothen, referindo-se a Neymar.

O brasileiro — que foi a transferência mais cara de sempre ao mudar-se em 2017 do Barcelona para Paris e marcou o início do projecto do PSG de procura da sua primeira Champions —, estará mesmo no topo da lista de jogadores que o clube quer vender no mercado de Verão devido às suas lesões constantes e à quebra na qualidade de jogo, assim como a sua falta de liderança no balneário.

Para além disto, o avançado de 30 anos tem ainda contrato até 2025 com um salário elevado e, de acordo com o jornalista francês Romain Molina, o próprio emir do Qatar já terá pedido a saída de Neymar.

Já Lionel Messi tem sido ligado a uma eventual saída para a MLS, a liga norte-americana de futebol. Sergio Ramos, que ainda não conseguiu integrar-se completamente na equipa desde o Verão devido às constantes lesões, também deve estar de saída no fim da temporada.

O técnico Mauricio Pochettino deve também estar de saída. Já há várias semanas que se fala de uma possível saída do treinador argentino para o Manchester United, que anda à procura de um técnico permanente, visto que Ralf Rangnick está apenas temporariamente no comando e vai passar a ser director desportivo do clube no final da época. Zidane tem sido apontado como o próximo treinador do PSG.

Escândalo de corrupção pode pôr Al-Khelaifi atrás das grades

Para além das dores de cabeça em campo, o clube está ainda a braços com um problema na justiça. Em causa está um alegado acordo corrupto entre Nasser Al-Khelaifi e Jérôme Valcke, antigo número dois da FIFA, para a atribuição à emissora beIN, que é detida pelo presidente do PSG, para os direitos de transmissão dos jogos dos mundiais de 2026 e 2030.

Na terça-feira, a justiça suíça pediu 28 meses de prisão efectiva para Al-Khelaifi e 35 meses para Jérôme Valcke. Os dois agentes desportivos são acusados de terem feito um pacto às escondidas da FIFA, o que pressupõe também um acto de “gestão desleal”, punível com cinco anos de prisão.

No primeiro julgamento, o tribunal estimou que Valcke apoiou a atribuição de direitos de TV ao canal beIN em troca de uma luxuosa mansão na Costa Esmeralda da Sardenha, comprada para si, no final de 2013, por cinco milhões de euros, por uma empresa de Al-Khelaïfi.

Os magistrados qualificaram a relação como “suborno”, contudo o tribunal não pode condenar por “corrupção privada”, já que a FIFA retirou a sua queixa em Janeiro de 2020, após um acordo com Al-Khelaifi, cujos termos nunca foram divulgados.

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A acusação de “gestão desleal” exige a prova de que o acordo prejudicou a FIFA, mas os visados defendem-se com o facto de o contrato, de cerca de 440 milhões de euros, ter sido o mais vantajoso para o organismo, pois constituía uma valorização de 60% das receitas arrecadadas com os mundiais de 2018 e 2022.

  Adriana Peixoto, ZAP // Lusa

2 Comments

  1. Quando à demasiadas “vedetas” num plantel é fácil perceber que é praticamente impossível formar uma equipa pois as individualidades sobrepõem-se ao coletivo. E o futebol é, ou devia ser, um jogo coletivo em que, por vezes, uma individualidade pode resolver um jogo que o coletivo não estava a conseguir resolver. Quem não entende isto, não entende o jogo do futebol.
    Tinha um amigo que uma vez, meio a sério, meio a brincar, disse que num onze o limite de vedetas eram 4 jogadores: Um guarda-redes, um defesa, um médio e um atacante. E mesmo assim já eram muitas vedetas para um só plantel. Mas o futebol mudou (para pior) e agora já não é só um jogo… é uma quantidade de negócios e negociatas. Tudo junto e mais os egos individuais só pode dar asneira.

  2. Demorou para o Neymar sair desse time frouxo e técnico incompetente… só esta queimando sua imagem. Pior que levou o Messi nesse barco furado.. Falta muita estrada para PSG ser time grande… O colega Zé das esquinas resumiu bem, Muita estrela, ofusca a constelação..

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