Apple remove aplicação que permitia manifestantes seguirem a polícia de Hong Kong

Jerome Favre / EPA

A gigante tecnológica norte-americana Apple removeu esta quinta-feira da sua loja online uma aplicação para smartphone, após críticas da China, que permitia aos ativistas de Hong Kong seguir os movimentos da polícia.

Os criadores da HKmap.live divulgaram uma mensagem que afirmaram ser da Apple, na qual se explicava que a aplicação de transporte urbano “tinha sido usada para atacar e emboscar a polícia” e “ameaçar a segurança pública”.

A Apple tornou-se na mais recente empresa a ser pressionada a tomar o lado de Pequim contra os manifestantes quando o jornal do Partido Comunista, na quarta-feira, sustentou que o HKmap.live “facilita o comportamento ilegal” e perguntou se a Apple estava “a guiar os bandidos de Hong Kong”.

“A aplicação mostra as posições policiais e verificámos com o gabinete de cibersegurança e crime tecnológico de Hong Kong que foi usada para atingir e emboscar a polícia, ameaçar a segurança pública”, afirmou a Apple, segundo os designers.

A ex-colónia britânica é palco de uma crise política sem precedentes desde o regresso à China em 1997, com manifestações e ações quase diárias para protestar contra a erosão das liberdades e crescente interferência da China naquela região semi-autónoma.

Os protestos começaram em junho por causa de uma proposta de emendas a uma lei que permitiria extraditar suspeitos de crimes para território e países sem acordos prévios, como a China, mas cedo se transformou num movimento antigovernamental e pró-democracia.

Os manifestantes diziam temer que a proposta, entretanto abandonada pelo Governo de Hong Kong, fosse mais um exemplo da crescente influência de Pequim sobre a ex-colónia britânica, à qual foi prometido um alto nível de autonomia quando regressou ao domínio chinês em 1997.

A contestação teve um forte impacto no turismo local e prejudicou as empresas no centro financeiro internacional, lesando ainda mais a economia da cidade, à medida que enfrenta os efeitos da guerra comercial entre os Estados Unidos e aChina.

Num endurecimento da posição do Governo perante os protestos na semana passada, Lam invocou uma lei de emergência da era colonial para criminalizar o uso de máscaras em manifestações, mas a decisão parece ter aumentado a violência, que se intensificou no passado fim de semana.

Recentemente, polícias dispararam pela primeira vez balas reais sobre manifestantes, ferindo dois adolescentes. A aplicação da proibição das máscaras começou no sábado, e Lam disse que era muito cedo para avaliar se a medida tinha falhado. Até hoje, dois jovens foram acusados de violar a proibição que pode resultar numa pena até um ano de prisão e numa multa de quase três mil euros.

Os críticos temem que a lei invocada, que dá a Lam amplos poderes de decisão, ultrapassando o processo político legislativo, possa abrir caminho para a declaração de um estado de emergência. A chefe do Governo disse que o Governo faria uma “avaliação cuidadosa” antes de impor outras medidas legais, como restrições ou bloqueios à Internet.

Lam também se comprometeu a continuar o diálogo e a adotar medidas para resolver os problemas económicos e de subsistência no discurso sobre políticas a seguir no território que deve ocorrer no dia 16 de outubro, quando forem retomados os trabalhos no Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

Os manifestantes invadiram e danificaram o edifício do Conselho Legislativo em 1 de julho. Lam apelou à paz aquando da abertura da sessão legislativa, alertando que mais interrupções atrasariam a aprovação de projetos de lei e impediriam o desenvolvimento da cidade.

ZAP // Lusa

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