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Com apenas três dias e ainda cegos, os ratos conseguem recordar-se das suas mães

Rama / Wikimedia

Os ratos são capazes de formar as suas primeiras memórias sociais três dias após nasceram, quando são ainda cegos, podendo estas perdurar até à idade adulta, concluiu uma investigação da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

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De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Cell Reports, este ratos, conhecidos como cobaias ou ratos de laboratório, preferem as suas progenitoras a outras mães desconhecidas quando são recém-nascidos, lembrando-se delas durante 100 dias.

Quando chegam à idade adulta, tendem a preferir cobaias desconhecidas.

“Estou realmente interessado em estudar o desenvolvimento da memória social, que é a memória que temos de outros indivíduos, que incluem determinadas características e factos sobre eles”, começou por explicar o autor principal do estudo, Blake J. Laham, investigador da Universidade de Princeton, citado em comunicado.

Para perceber como e quando é que as memórias sociais se desenvolvem pela primeira vez, Laham debruçou-se sobre a memória de ratos recém-nascidos sobre as suas mães.

Uma vez que existe a possibilidade de os animais reconhecerem as suas mães biológicas com base em fatores puramente genéticos, a equipa decidiu, durante o procedimento experimental, colocar as cobaias recém-nascidas – ainda cegas e sem audição – sob “cuidados adotivos” com “cobaia cuidadora” diferente da sua mãe biológica.

Assim que nasceram, estes pequenos animais foram colocadas juntamente com a “cobaia cuidadora”, uma espécie de progenitora adotiva. Posteriormente, a equipa colocou as crias entre a “cobaia cuidadora” e uma outra cobaia desconhecida para os recém-nascidos.

Os ratos, ainda que minúsculos, foram capazes de agitar os seus corpos, movendo-se em direção à “cobaia cuidadora”, que os criou durante três dias. De acordo com os cientistas, os recém-nascidos passaram mais tempo com o nariz apontado para as cuidadoras, demonstrando assim reconhecimento e preferência por este animal.

A equipa descobriu que estas memórias sobre as mães adotivas duram até à idade adulta e que os ratos são capazes de reconhecer as suas mães mesmo depois de estarem separados durante 100 dias. Contudo, “há uma transição comportamental realmente fascinante depois que o animal é desmamado”, explicou Laham.

Quando o animal não depende mais da mãe cuidadora, prefere investigar novas mães”, continuou, dando conta que os ratos adultos podem ter mais interesse em perceber se o outro espécime representa uma ameaça ou um potencial parceiro.

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E rematou: “A nossa vida é composta por memórias – mas, no final do dia, as nossas memórias que significam tanto para nós, que nos motivam, que nos enchem de medo ou alergia, são apenas neurónio a comunicar. E isso é fascinante para mim”.

  Sara Silva Alves, ZAP //

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