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Método usa “capa de invisibilidade sonora” para fazer desaparecer objetos

Astrid Robertsson / ETH Zürich

Uma equipa de investigadores do Instituto de Geofísica de Zurique, na Suíça, desenvolveu um método que usa a acústica para ocultar objetos. 

Quando ouvimos música, não ouvimos apenas as notas produzidas pelos instrumentos: estamos também imersos nos seus ecos no nosso meio. As ondas sonoras ricocheteiam nas paredes e objetos, formando um efeito sonoro característico – um campo acústico específico.

Isto faz com que objetos escondidos no subsolo possam ser detetados através da forma como as ondas sonoras de uma fonte são refletidas. Por outro lado, salienta o Phys, os objetos podem tornar-se invisíveis manipulando o campo acústico de tal forma que o ouvinte deixa de conseguir percebê-los.

Uma maneira de esconder um objeto acusticamente é revestir a sua superfície e impedir que reflita ondas sonoras. Mas há um senão: o sistema não permite flexibilidade, funcionando apenas dentro de uma faixa de frequência limitada, o que o torna inadequado para muitas aplicações longe dos laboratórios.

Recentemente, uma equipa de cientistas conseguiu aumentar o campo acústico inicial em tempo real e, como resultado, conseguiu fazer desaparecer objetos. A técnica também funciona em sentido oposto, permitindo simular a existência de objetos sem que estejam fisicamente presentes.

Em laboratório, os cientistas colocaram um objeto num anel externo de microfones, que foram usados como sensores de áudio, e num anel interno de altifalantes, que funcionaram como fontes de controlo.

Ao analisar as ondas sonoras captadas pelos microfones, um computador direcionou os altifalantes para ajustar o campo acústico, fazendo com que se comportasse como se o objeto não estivesse lá.

Para “mascarar” o objeto, as fontes de controlo emitiram um sinal que apagou completamente as ondas sonoras refletidas. Esta técnica permitiu ocultar a existência de um objeto 2D (com um tamanho até 12 centímetros) ou simular a presença de um objeto imaginário do mesmo tamanho.

As frequências máximas para a camuflagem de objetos em duas dimensões variaram entre 5.900 Hz a 8.700 Hz.

O sistema desenvolvido aumenta as ondas sonoras transportadas pelo ar, mas a ideia é que o passo seguinte passe pela produção de ilusões acústicas também debaixo de água, para que a tecnologia possa ser usada em sensores e sistemas de comunicação.

No futuro, o sistema pode também ser aplicado no estudo de estruturas subterrâneas, dado que a equipa usou ondas de ultrassom controladas, com frequência acima de 100 kHz, para determinar as propriedades acústicas de diferentes tipos de minerais.

O artigo científico foi publicado em setembro na Scientific Advances.

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  ZAP //

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