Animais estão a ficar notívagos (e nós somos os culpados)

kohlmann.sascha / Flickr

Os mamíferos que vivem em zonas onde a presença humana é maior estão a mudar drasticamente os seus hábitos. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista Science, esta quinta-feira.

Os animais selvagens têm medo dos seres humanos e alteram os seus comportamentos de modo a evitar encontros. No entanto, essas mudanças têm efeitos na demografia, fisiologia e cadeias alimentares de que fazem parte.

Os ecossistemas de 75% do planeta foram alterados pelos humanos e os maiores afetados são as espécies selvagens que perdem terreno, ao ponto de algumas já terem desaparecido, avança o Diário de Notícias.

De acordo com um estudo publicado recentemente na Science, os mamíferos estão a tornar-se mais notívagos sempre que há humanos por perto. Esta é uma tendência que se está a verificar em todos os continentes, mas as consequências para os animais são ainda uma incógnita.

A equipa, liderada por Kaitlyn Gaynor, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, mostra que um total de 62 espécies de mamíferos está a mudar os seus padrões de forma significativa, adotando os períodos da noite para as suas atividade de alimentação, por exemplo, em ambientes onde a proximidade dos seres humanos é maior.

Os investigadores analisaram 76 estudos relativos a estas 62 espécies, que tinham monitorizado os padrões de geolocalização e câmaras fotográficas ativadas pelo movimento dos animais.

Posteriormente, avaliaram os comportamentos dos animais em zonas com e sem a presença dos humanos. Assim, descobriram que nos locais onde a presença humana é maior, os animais levam uma vida notívaga significativamente maior do que os seus companheiros de espécie que vivem em zonas com pouca influência humana.

A explicação, dizem os cientistas, é o medo. “Em sítios onde ambos coexistem como nos arredores das cidades, os animais selvagens podem minimizar o risco de se cruzarem com humanos fazendo uma separação temporal, como esta, em vez de espacial”, escrevem os autores do artigo científico.

Isto significa que os animais ficam mais ativos no período da noite, para evitarem encontros com humanos, sustenta o jornal.

As consequências da transformação dos hábitos destas espécies são ainda desconhecidas. No entanto, este é apenas o mote para estudos futuros, que nos darão pistas para novas estratégias de conservação destes mamíferos.

ZAP //

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