Angola deixa aviso a Portugal após acusação a vice-presidente

U.S. Department of State / Wikimedia

Manuel Vicente, vice-presidente de Angola

Manuel Vicente, vice-presidente de Angola

O Governo angolano classifica como “inamistosa e despropositada” a forma como as autoridades portuguesas divulgaram a acusação do Ministério Público de Portugal ao vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, e alerta que essa acusação ameaça as relações bilaterais.

A posição surge numa nota do Ministério das Relações Exteriores de Angola distribuída nesta sexta-feira, protestando veementemente contra as acusações de corrupção activa avançadas pela justiça portuguesa contra Manuel Vicente, “cujo aproveitamento tem sido feito por forças interessadas em perturbar ou mesmo destruir as relações amistosas existentes entre os dois Estados”.

O Governo português está desde 2016 a preparar a visita oficial do primeiro-ministro António Costa a Angola, prevista para a próxima primavera.

No documento do Ministério, refere-se que as autoridades angolanas tomaram conhecimento “com bastante preocupação, através dos órgãos de comunicação social portugueses”, da acusação do Ministério Público português “por supostos factos criminais imputados ao senhor engenheiro Manuel Vicente”.

Para o Governo angolano, a forma como foi veiculada a notícia constitui um “sério ataque à República de Angola, suscetível de perturbar as relações existentes entre os dois Estados”.

“Não deixa de ser evidente que, sempre que estas relações estabilizam e alcançam novos patamares, se criem pseudo factos prejudiciais aos verdadeiros interesses dos dois países, atingindo a soberania de Angola ou altas entidades do país por calúnia ou difamação”, sublinha a nota.

As autoridades angolanas consideram que, juntamente com Portugal, as suas relações deviam concentrar-se “nas relações mutuamente vantajosas, criando sinergias e premissas para o aprofundamento da cooperação económica, cultural, política, diplomática e social, como meio de satisfação dos interesses fundamentais dos seus povos”.

Já esta semana, a visita da ministra da Justiça portuguesa, Francisca Van Dunem, a Angola, que deveria ter começado na quarta-feira, foi adiada “sine die“, no dia anterior, anunciou em comunicado o Ministério da Justiça português.

No comunicado, referia-se apenas que “a visita da Ministra da Justiça foi adiada, a pedido das autoridades angolanas, aguardando-se o seu reagendamento”.

A visita de Van Dunem a Angola deveria durar três dias (22 a 24 de fevereiro) e previa uma intervenção da governante portuguesa num fórum sobre serviços de Justiça, que está a decorrer em Luanda.

A confirmação desta visita foi feita a 10 de fevereiro, também em Luanda, pelo chefe da Diplomacia portuguesa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que esteve em Angola a preparar a deslocação oficial do primeiro-ministro português.

ZAP // Lusa

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14 COMENTÁRIOS

  1. São todos uns santos , que nunca fizeram mal a ninguém, Angola é de facto um exemplo para o mundo inteiro , de um verdadeiro regime democrático, justiça social , educação, saúde etc,. Não há pobres , tudo funciona ás mil maravilhas.
    Os portugueses claro, invejosos dessa realidade, inventam pseudo- notícias atingindo a honra e dignidade desses ilustres governantes. Que vergonha. Isso não se faz.

  2. Fazerem pressão sobre a justiça portuguesa?! Isso sim, é inaceitável!!! E o pior é que não é a primeira vez!! Espero que agora pelo menos haja um mínimo de verticalidade e Portugal não se lhes dobre novamente e “baixe as calças”!!

  3. Por estes comentários ficamos a saber que tipo de democracia é que os angolanos têm, já sabíamos só povo angolano é que parece não saber.
    Se o governo angolanos não gosta da diplomacia portuguesa pode e deve deixar os campos diplomáticos e ir-se embora, mas irem todos isabel e arredores, TODOS.
    O governo angolano até parece o ZAP que não julga nem deixa julgar, não tem opinião só estorva.

  4. Até há 4 décadas atrás Portugal era uma Pátria. Soberana, defendia os seus valores e integridade territorial. Era uma Nação respeitada. Ainda que por escusos e obscuros(?) interesses internacionais, fosse condenada na mesma ONU, onde fervilham hoje os mesmos e outros interesses de então. Lamentável e desgraçadamente, hoje de soberana (?) só temos a dívida! A dignidade já se foi! Temos de engolir tudo o que nos fazem e andamos a mendigar dinheiro e emprego onde quer que seja. Passamos de uma nação colonial a sermos “colonizados” pela ex-colónia e outros colonizadores recentes. E de facto acusar os angolanos de corrupção quando estamos mergulhados num atoleiro de corrupção como vamos vendo, é irónico! E já agora: democracia? Qual? Onde?

    • Apoiado. De há 4 décadas para cá é o povo quem mais ordena. Apenas vai colocar o voto na urna porque do resto tratam os que todos sabemos. Corrupção é o que se lê todos os dias. Gente na prisão, nicles e de soberano só temos a dívida! Tanto que se tem criticado a Guerra colonial mas da Guerra que os angolanos e moçambicanos têm feito nada se diz. É Guerra lá longe e não nos diz respeito. A miséria e a corrupção fervilha por aquelas bandas. De 25 milhões de angolanos parece que 20 milhões vivem no limiar da pobreza.

    • Viva a ignorância!….
      Realmente, comparar Angola que está entre o 30 países mais corruptos do mundo (talvez o país mais corrupto do mundo!) com Portugal que está entre os 30 menos corruptos do mundo é um sinal de falta do mais elementar bom senso, mas, pelo comentário, não se poderia esperar muito mais!…
      Se não tem dignidade e anda a mendigar, fale por si!…

  5. Fica demonstrado que em Angola quem pratica a corrupção e pertence ao governo, está habituado a contornar a justiça, estranhando aínda que o contrário seja lei, daí esta reação pública, que para quem pensa que vive numa sociedade justa, é no minino uma demolição dos padrões basilares da sociedade, resumindo, estes senhores vivem noutro contexto, confundindo permanentemente o poder com a riqueza e o roubo.
    Já agora, onde será que eu já vi isto?

  6. Esse tal Cretcheu, pelo nome deve ser alguma coisa má, desde já as melhoras, esta habituado a viver em democarcia tipo Angolana. Angola sim, é um exemplo de democracia onde o povo vive maravilhosamente.

  7. Vergonha com letra grande !!
    Num País onde a liberdade de expressão é perseguida ,onde á censura jornalística onde os principais órgãos de comunicação TPA e Jornal de Angola são lacaios do Governo que até parece uma Monarquia da família Santos. daí pode vir tudo porque democracia não existe á muito tempo. Desde do tempo do Agostinho Neto, aprenderam bem a lição com antiga ( União soviética ) que eram uns santinhos .!!!!

  8. Um regime corrupto a quem Portugal se tem vergado. Nós não precisamos de dinheiro roubado ao povo angolano, há mais quem queira investir em Portugal. Queixamo-nos que é quase tudo espanhol em Portugal, mas antes isso que de um regime onde não existe democracia e vive da corrupção.

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