Amostras de sangue de animais de zoológicos ajudam a prever doenças em humanos

(dr) Oliver Dietze

O professor de bioinformática Andreas Keller e o diretor do jardim zoológico Richard Francke

Os cientistas querem usar padrões genéticos similares, que estão presentes no sangue de humanos e animais há milhares de anos, para melhorar o prognóstico da doença assistida por computador.

Os jardins zoológicos de Saarbrücken e Neunkirchen, ambos na Alemanha, abrigam pinguins, elefantes asiáticos e várias outras espécies. Uma vez que estes animais são provenientes de vários continentes, amostras de sangue são retiradas com alguma frequência com o objetivo de examinar a sua saúde.

Segundo o Phys.org, estas amostras de sangue já foram usadas por bioinformáticos e geneticistas humanos na Universidade de Saarland para procurar biomarcadores que possam ser usados para detetar doenças em estágio inicial.

O objetivo dos investigadores é usar padrões genéticos similares, presentes no sangue de humanos e animais há milhares de anos, para melhorar o prognóstico da doença assistida por computador.

Além da cooperação com os jardins zoológicos, este projeto é incomum dado que medir os perfis moleculares de sangue de animais nunca foi feito desta forma, de acordo com Andreas Keller, professor de bioinformática da Universidade de Saarland.

Em vez de examinar tecidos e dados de pacientes humanos, Andreas Keller e Eckart Meese, um geneticista humano de Saarbrücken, analisaram amostras de sangue de 21 animais. O diretor do zoológico, Richard Francke, recolheu o sangue durante exames de rotina entre 2016 e 2018 e disponibilizou-os aos cientistas.

Normalmente, os cientistas investigam biomarcadores no sangue humano de forma a identificar tumores de pulmão ou doenças como o Alzheimer ou Parkinson. “Micro-RNAs são adequados para esse fim”, disse Keller.

“Os micro-RNAs são secções curtas de moléculas específicas no ácido ribonucléico que desempenham um papel importante no controlo de genes. Com o objetivo de encontrar essas secções, os cientistas  usam métodos bioinformáticos modernos, incluindo inteligência artificial. Por sua vez, esse mecanismo cria um desafio que os animais dos zoológicos podem resolver”, explicou o cientista.

“Até 20 milhões de dados são recolhidos por paciente humano. Os métodos usados reconhecem os padrões típicos (como um tumor no pulmão, por exemplo), mas é difícil para a inteligência artificial aprender quais os padrões de biomarcadores que são reais e quais parecem apenas encaixar-se no respetivo quadro clínico. É aqui que as amostras de sangue dos animais entram em ação“, continuou.

“Se um biomarcador é evolutivamente conservado, ou seja, também ocorre noutras espécies de forma e função similar, é muito mais provável que seja um biomarcador resiliente“, explicou o professor.

Os resultados desta investigação foram recentemente publicados na Nucleic Acids Research. Além do artigo científico, os investigadores criaram também uma base de dados na qual inseriram os seus resultados. Cientistas de todo o mundo podem agora ter acesso a estes dados.

ZAP //

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