As alterações climáticas estão a apodrecer as múmias mais antigas do mundo

Daderot / Wikimedia

O clima seco do deserto de Atacama ajudou a preservar as múmias dos Chinchorro durante 7000 anos, mas as alterações climáticas estão a trazer mais humidade para a região e a ameaçar estes exemplares históricos chilenos.

Tipicamente árido e seco, o deserto de Atacama no Chile não está imune ao efeito das alterações climáticas, sendo agora mais húmido. Esta alteração está a levar a que as múmias mais antigas do mundo se estejam a começar a decompor e a ganhar bolor, pondo em causa os esforços de preservação dos cientistas.

As múmias foram criadas pelos membros da cultura Chinchorro, uma comunidade piscatória que viveu de 5000 A.C. até 500 A.C. no Chile e no sul do Peru. O ritual fúnebre envolvia a remoção cuidadosa da pele e dos órgãos, enchendo os corpos com peles animais ou argila, e a adição de perucas, penas e máscaras de argila para adornar os corpos, sendo que alguns eram até pintados.

Os corpos encontrados no deserto de Atacama são os mais antigos do mundo, com a tradição dos Chinchorro a iniciar-se 2000 anos antes dos egípcios também terem começado a mumificar o seus mortos.

A sua preservação deve-se em grande parte ao clima seco do deserto, e apesar de algumas das múmias terem sido levadas para museus, algumas foram deliberadamente enterradas novamente no Atacama pelos arqueólogos, na esperança de diminuírem a sua exposição aos elementos, revela o Gizmodo.

Com as alterações climáticas, os cientistas têm notado nos últimos anos que as múmias se têm degradado mais rapidamente, com bolor até a crescer em algumas. Em 2015, um relatório confirmou esta hipótese e nesse mesmo ano choveu mais na região do que em vários anos anteriores juntos.

De acordo com Benardo Arriaza, um especialista na cultura Chinchorro, a deterioração varia com o tipo de múmia e de materiais usados, sublinhando que as que usam tecidos orgânicos são mais afectadas pelas mudanças.

Não se sabe ao certo quantas múmias estão enterradas na região, mas Arriaza acredita que os arqueólogos vão conseguir preservar este pedaço importante da história do Chile com a criação de um novo museu no país.

“Será uma oportunidade incrível para melhorarmos os critérios de conservação, exposição e de gestão das colecções. As múmias têm sido preservadas ao longo de milhares de anos, e vamos fazer tudo para garantirmos a sua preservação”, remata.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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