Alguns dos países mais ricos querem limitar o preço do petróleo russo. Implementar ideia será mais difícil

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Há semanas que Estados Unidos estudam a possibilidade de um teto máximo de preços, mas até os seus responsáveis parecem cientes das dificuldades da implementação da medida.

Com os principais líderes mundiais reunidos na Alemanha para a cimeira dos G7, uma ideia que começou a surgir nas manchetes dos jornais como potencial medida para ferir ainda mais a economia russa e acabar com o que muitos entendem ser o financiamento da ofensiva militar russa na Ucrânia por parte das nações ocidentais. depois de muitas das medidas anunciadas terem sortido poucos efeitos práticos, o foco vira-se agora para o petróleo, com o o objetivo de limitar o preço do crude russo.

No entanto, há detalhes que tornam a concretização da ideia difícil, para não dizer impossível — sobretudo se se olhar para as questões geopolíticas. De acordo com o Expresso, os rascunhos iniciais da ideia faziam referência à fixação de regras que vinculem os serviços financeiros e de seguros e a indústria de transporte marítimo, de forma a que só possam operar e financiar o trânsito de petróleo russo até um determinado preço de referência. Na eventualidade de os negócios e as transações de petróleo russo ultrapassarem o teto máximo, as empresas seriam sancionadas.

Apesar de ter ganhado dimensão com a reunião dos G7, esta já tinha sido estudada e avaliada, nomeadamente pelos Estados Unidos da América. De facto, a sua secretária do Tesouro já havia revelado que, juntamente com os seus parceiros, estavam a discutir um limite do preço ao preço do petróleo russo. Outro objetivo paralelo que, por esta via, seria alcançado teria que ver com a entrada no mercado global de mais petróleo.

Num primeiro momento, os responsáveis norte-americanos mostraram-se favoráveis — tendo, inclusive, o apoio italiano, canadiano e japonês. França, por sua vez, mostrou preferência pelos aumentos de produção, enquanto que a Alemanha tem uma posição discretamente contra.

Acontece que muita da relutância de alguns países tem que ver com a complexidade da implementação da medida, nomeadamente pela dificuldade que representa fazer a monitorização da origem do crude e de todo o trajeto e circulação que faz até ao consumidor e produto final. Ainda segundo a mesma fonte, são recorrentes os episódios, após o início da guerra na Ucrânia, de navios de transporte de petróleo que desligam os sistemas de geolocalização para que não se perceba que têm origem na Rússia.

Outra questão a considerar tem que ver com os grandes beneficiários da descida do preço do petróleo russo, que serão os principais compradores da matéria-prima: China e índia — países que não se comprometeram com a aplicação de sanções à Rússia. Por outro lado, há ainda que considerar que esta limitação poderá resultar no aumento do custo do crude proveniente de outras geografias — face à redução da oferta global disponível.

Em termos globais, a Rússia é o segundo maior exportador mundial de crude, apenas atrás da Arábia Saudita e com exportações na ordem de 8 milhões de barris por dia — 5 milhões de crude, 1 milhão de gasóleo e o resto consiste noutros produtos, como VGO. Ainda segundo o Expresso, que cita dados da Agência Internacional de Energia, cerca de 60% das exportações petrolíferas russas têm como destino os países europeus que integram a OCDE e 20% vão para a China. Em 2021, a Rússia exportou o equivalente a 464 mil milhões de euros em produtos energéticos.

Após o conflito na Ucrânia, os Estados Unidos da América e o Canadá baniram totalmente as importações de petróleo russo, ao passo que a Europa se ficou por sanções mais brandas em função do elevado nível de dependência — um cenário que prometeu estar a diminuir.

  ZAP //

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