Mundo de olhos postos na vacinação. Alemanha segue na dianteira, Pfizer prepara vacina em pó

Hendrik Schmidt / EPA Pool

O mundo continua de olhos postos numa vacina contra a covid-19, que carece ainda de aprovação final para ser comercializada, e a Alemanha segue na dianteira, estando já com o plano de vacinação praticamente fechado.

De acordo com o jornal Público, a Alemanha espera ter já em meados de dezembro centros de vacinação contra a covid-19 preparados para administrar os fármacos assim que estes tiverem luz verde das respetivas autoridades europeias.

“Prefiro ter um centro de imunização pronto a funcionar inativo vários dias do que uma vacina autorizada sem ter condições para a administrar”, declarou o ministro da Saúde, Jens Spahn, que revelou também que os grupos prioritários estão já definidos.

O Governo alemão está confiante de que poderá iniciar em dezembro o seu plano de vacinação, recentemente aprovado, assim que as primeiras vacinas contra a covid-19 forem aprovadas pela União Europeia (UE).

Jens Spahn disse que há “motivos para otimismo” e que ainda este ano poderá ser dado o sinal verde para a vacina no bloco europeu. “E então podemos começar a vacinação imediatamente”, declarou o ministro, citado pela agência Lusa.

De acordo com a estratégia de vacinação desenhada de comum acordo entre o Governo central e os 16 estados federados, Berlim será responsável pela aquisição – por meio do mecanismo europeu e acordos bilaterais – e pela distribuição das vacinas (tarefa para a qual solicitou a colaboração do exército e do setor privado).

Os estados federados, por sua vez, ficarão encarregados de vacinar a população.

Especificamente, concordaram em abrir 60 centros de vacinação próprios contra o novo coronavírus, que devem estar operacionais em meados de dezembro.

Grupos de risco definidos na Alemanha

De acordo com o relatório elaborado pelo Instituto Robert Koch (RKI), importante centro epidemiológico, a Academia de Ciências Leopoldina e o Comité de Ética, os primeiros a serem vacinados devem ser os grupos de risco.

Isso inclui pessoas com mais de 60 anos e portadores de doenças prévias como diabetes, obesidade ou hipertensão, fatores mais frequentemente associados a convalescença mais grave e maior mortalidade.

Segue-se o pessoal do setor de saúde e dependentes, trabalhadores essenciais do setor público, como polícias e equipas de emergência, bem como professores e educadores.

Spahn apontou há algumas semanas que só esses grupos representam entre 30 e 40% da população alemã, uma das sociedades com mais pessoas idosas. Porém, a meta do Governo é atingir uma taxa de vacinação de entre 60 e 70% da população, com o objetivo de alcançar o que os especialistas chamam de imunidade de grupo, a partir da qual o vírus tem grande dificuldade de propagação porque a maioria dos indivíduos está imunizada.

Plataforma para acompanhar a vacinação

Para acompanhar a evolução da campanha, o Governo alemão vai lançar uma plataforma na Internet para mostrar quem foi vacinado, incluindo detalhes como o grupo de risco a que pertencem, acrescentou o ministro da saúde alemão.

Somente quando uma percentagem relevante de grupos de risco for vacinada é que as restrições à vida social e à atividade económica podem ser levantadas. Estando “otimista”, adiantou Spahn, o grosso da campanha poderia ser concluído até ao final de 2021, apesar de o presidente da Comissão Permanente de Vacinação da RKI, Thomas Mertens, ter estimado recentemente que a campanha de vacinação não terminará antes de 2022.

Spahn também indicou que a Alemanha, através da União Europeia ou pelos seus próprios meios, pode chegar a ter cerca de 300 milhões de doses de diferentes vacinas, mais do que suficiente para os 83,2 milhões de habitantes do país, mas Berlim observou que distribuiria o que não precisasse para outros países.

A vacinação, como a chanceler alemã, Angela Merkel, sublinhou em várias ocasiões, será sempre voluntária. “Ninguém será forçado a ser vacinado. Será uma decisão livre“.

A Alemanha tem já o seu plano preparado e está a um passo dos centros de vacinação covid-19, enquanto que os restantes países estão ainda a preparar os processos logísticos.

Pfizer prepara vacina em pó

A farmacêutica Pfizer, que está a desenvolver uma vacina contra a covid-19 com a a alemã BioNTech, revelou estar a trabalhar numa versão em pó do fármaco, para colmatar os problemas de transporte e armazenamento da vacina líquida.

Este vacina, recorda-se, tem de ser armazenada a uma temperatura de –80 graus Celsius em equipamentos especializados que não estão disponíveis em todos os hospitais.

A vacina em pó pode ser a resposta a estes problemas, disse ao Business Insider, o diretor científico da Pfizer, Mikael Dolsten. “Estamos a pensar em várias possibilidades para as vacinas da próxima geração (…) Julgo que, em 2021, conseguiremos desenvolver um formato em pó que só precisa de ser refrigerado”, esclareceu.

As vacinas são a grande esperança para travar a pandemia, mas nenhuma das vacinas já anunciadas foi aprovada para comercialização. A aprovação deverá chegar em 2021.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que analisa os pedidos de autorização de três requerentes – Oxford/AstraZeneca, da Pfizer/BioNTech e da Moderna – , disse que poderá aprovar as primeiras vacinas contra a covid-19 até ao final do ano ou início de 2021.

“É difícil neste ponto prever com precisão os prazos para a autorização da vacina, pois ainda não temos todos os dados e os testes que atualmente estão em andamento“, disse a EMA num e-mail enviado à agência de notícias AFP.

“Dependendo do andamento da avaliação, a EMA pode de facto conseguir concluir a avaliação dos candidatos mais avançados no final deste ano ou início do próximo”, referiu.

A EMA estabeleceu um procedimento acelerado, que permite examinar os dados de segurança e eficácia da vacina à medida que se tornam disponíveis, mesmo antes de um pedido formal de autorização ser apresentado pelos fabricantes.

As vacinas da Oxford/AstraZeneca, da Pfizer/BioNTech e da Moderna são os três projetos a ser sujeitos a esta “revisão contínua”. Com sede em Amsterdão, nos Países Baixos, a missão da EMA é autorizar e controlar medicamentos na União Europeia (UE).

A luz verde final, dada pela Comissão Europeia, permite aos laboratórios comercializarem os seus medicamentos em toda a UE.

Terão que chegar a milhares de milhões, alerta OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) saudou esta segunda-feira os mais recentes resultados dos ensaios clínicos das vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento, mas salientando que as vacinas terão que chegar a milhares de milhões de pessoas.

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que os resultados de pelo menos três vacinas já anunciados permitem ter “esperança real de que as vacinas, em conjunto com outras medidas de saúde pública comprovadas, ajudarão a acabar com esta pandemia“.

O desenvolvimento destas vacinas em meses é um “feito científico cuja importância não pode ser subestimada”, declarou Tedros Ghebreyesus, salientando que a urgência com que se lançou a investigação para as obter tem que ter urgência equivalente na sua “distribuição justa” por todos os países.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que “é importante haver várias vacinas e de vários tipos, uma vez que será preciso vacinar milhares de milhões“.

A mais recente vacina cujos ensaios clínicos foram divulgados, a do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford tem uma taxa média de eficácia de 70 por cento, enquanto as da Pfizer/BioNTech e da Moderna apresentam, segundo os resultados preliminares, taxas de eficácia na casa dos 90%.

A vice-diretora da OMS, Mariângela Simão, referiu que a agência está em contacto com as empresas e que está “muito esperançosa” na avaliação dos resultados dos testes clínicos, que se prevê que possam estar concluídos “no princípio do próximo ano”.

ZAP ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. “Prefiro ter um centro de imunização pronto a funcionar inativo vários dias do que uma vacina autorizada sem ter condições para a administrar”, declarou o ministro da Saúde alemão…

    Infelizmente não temos políticos em Portugal a pensar da mesma forma. Depois admiram-se que Portugal está sempre na cauda da Europa…

  2. Em pó penso que iremos ficar muitos de nós em pouco tempo, à velocidade que o mal avança vai ser difícil o seu controlo e quanto a vacinas muitas dúvidas existem ainda.

  3. Grande lobby !
    Esta é a pandemia menos mortal que já tivemos e com contornos muito pouco claros. Tenho alguma dificuldade em chamar-lhe pandemia sem menosprezar o vírus. Muito está por esclarecer. Tantos protestos em todo o lado também não é normal. A história não é clara.

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