Alemanha. Líder dos liberais pede desculpa no parlamento por crise política na Turíngia

Dirk Vorderstraße / Flickr

O presidente dos liberais alemães (FDP), Christian Lindner

O presidente do Partido Liberal alemão (FDP) pediu na quinta-feira desculpa no parlamento pela eleição de um membro daquele partido como líder regional da Turíngia com os votos da extrema-direita, situação que desencadeou uma crise política na Alemanha.

“Estamos envergonhados porque permitimos que a Alternativa para a Alemanha (AfD, partido de extrema-direita) troçasse de nós e da democracia parlamentar, e peço desculpas por isso em nome dos liberais”, declarou Christian Lindner, durante um debate no Bundestag (parlamento alemão).

Christian Lindner admitiu a responsabilidade dos liberais nos danos causados pela eleição de Thomas Kemmerich como líder regional do Estado da Turíngia (leste da Alemanha), acrescentando que “Erfurt [capital da Turíngia] foi um erro”. “Mas, vamos fazer tudo o que é possível para que tal não volte a acontecer”, concluiu.

Thomas Kemmerich, que no passado fim de semana demitiu-se do cargo “com efeitos imediatos”, foi eleito líder regional do Estado da Turíngia a 05 de fevereiro graças a uma concertação de votos inédita entre os representantes locais dos conservadores da União Democrática Cristã (CDU, força política da chanceler alemã, Angela Merkel) e os membros locais da AfD.

A eleição de Kemmerich gerou uma grande controvérsia, uma vez que a votação quebrou um tabu e provocou um autêntico sismo político naquele país, segundo caracterizou a imprensa internacional.

Foi a primeira vez na história da Alemanha pós II Guerra Mundial que um chefe de um governo regional foi eleito com o apoio da extrema-direita, bem como a primeira vez que fações moderadas e radicais votaram concertadas neste tipo de eleição.

A par da renúncia de Kemmerich, um membro do governo central alemão, que elogiou a eleição do líder regional da Turíngia, foi afastado por Merkel. A eleição da Turíngia também teve repercussões na liderança da CDU, com Annegret Kramp-Karrenbauer, que sucedeu a Merkel em dezembro de 2018, a anunciar esta semana a sua demissão.

Na quinta-feira, no parlamento, o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, fez duros ataques à AfD, em especial ao líder do partido na Turíngia, Björn Höcke. “Na AfD, muitos se questionam com que direito chamo nazi a Höcke. É muito simples, chamo-o nazi porque é um nazi e continuarei a chamá-lo assim”, afirmou.

Em nome da AfD, o copresidente do grupo parlamentar, Alexander Gauland, referiu que a eleição de Kemmerich tinha sido uma coisa normal no contexto de uma democracia parlamentar, atacando Merkel por ter chegado a pedir a realização de um novo escrutínio.

O representante da extrema-direita comparou Merkel ao antigo líder da antiga República Democrática Alemã (RDA), Walter Ulbricht. “Ullbrich tentava dar pelo menos uma aparência democrática às coisas”, disse.

Já a copresidente do grupo parlamentar dos Verdes, Katrin Göring-Eckhardt, acusou a AfD de querer incendiar o país. “Vocês não amam este país, querem incendiá-lo”, indicou Katrin Göring-Eckhardt.

Lusa //

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