Alcochete. Jogadores não querem ser ouvidos na mesma sala que os arguidos

Tiago Petinga / Lusa

Ricardo Gonçalves, responsável pela segurança em Alcochete, voltou a ser ouvido em tribunal, juntamente com Manuel Fernandes e Paulo Cintrão. O advogado do Sporting revelou que os jogadores querem ser ouvidos por videoconferência ou com os arguidos fora da sala.

Na oitava sessão do julgamento da invasão à academia leonina, que decorreu esta terça-feira, Ricardo Gonçalves, diretor de segurança de Alcochete continuou a ser ouvido em tribunal. Além dele, também Manuel Fernandes e Paulo Cintrão foram inquiridos. Os jogadores leoninos pediram ainda para ser ouvidos por videoconferência ou sem a presença dos arguidos.

Antes do início da sessão, o antigo líder da Juve Leo, Fernando Mendes, disse aos jornalistas que foi uma mera coincidência o facto de ter estado em Alcochete nesse dia. “Não sabia que havia alguém a combinar o que quer que fosse. Já não vi ninguém de cara tapada. Só ao longe, a 300 metros”, explicou.

Ricardo Gonçalves foi novamente figura de destaque em tribunal, tendo admitido que não esperava uma invasão no dia do ataque. “Nunca me passou pela cabeça que pudesse haver uma invasão. Mas fiquei preocupado porque a visita da claque a Alcochete não tinha sido planeada nos moldes habituais”, disse, citado pela Tribuna Expresso.

Além disso, referiu que havia maneira de colocar os jogadores num lugar inacessível a pessoas dentro da Academia. “Em tese, sim”, ressalvou.

“Pensei que BdC ia despedir Jorge Jesus”

Por sua vez, o antigo futebolista Manuel Fernandes disse ter pensado que Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, se preparava para despedir Jorge Jesus, treinador da equipa de futebol, na véspera do ataque à academia de Alcochete.

“Tivemos uma reunião na véspera [da invasão] e o presidente disse uma frase que me fez pensar que ele se estava a referir ao despedimento do treinador”, afirmou Manuel Fernandes, aludindo à pergunta de Bruno de Carvalho: “Amanhã, vamos estar todos na academia às 16:00, e aconteça ou que acontecer vocês estão comigo?“.

Manuel Fernandes, que à data coordenava o departamento de ‘scouting’ do clube, referiu em tribunal que nem todos os indivíduos que invadiram a academia do clube, em Alcochete, entraram no balneário onde foram agredidos futebolistas e elementos da equipa técnica.

“Penso, pelo aglomerado de pessoas que vi, que houve muitos que não entraram no balneário. Quando entrei no balneário vi quatro ou cinco pessoas de cara tapada” a falarem com alguns jogadores, como Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Acuña”, disse Manuel Fernandes.

O antigo internacional português revelou que viu à entrada do balneário “Bas Dost com sangue na cabeça, deitado no chão e a chorar“, acrescentando não ter visto “quem o agrediu” e dizendo, mais tarde, que o avançado holandês “esteve caído no chão 10 ou 15 minutos”.

Manuel Fernandes explicou que no trajeto entre o seu gabinete, à entrada do edifício, e o balneário, houve um indivíduo, que “levava um cinto na mão” e lhe disse: “Desvia-te ‘Manel’, que isto não é contigo”.

O coordenador do departamento de ‘scouting’ disse não ter visto “agressões”, tendo presenciado apenas “gritos e intimidação verbal”, qualificando o momento de “uma coisa muito feia”.

Manuel Fernandes admitiu que, “a certa altura, ligou ao treinador Jorge Jesus a pedir para ir para casa”, porque não se estava a sentir bem, tendo voltado depois, quando percebeu que os jogadores estavam a depor na GNR.

O coordenador do ‘scouting’ do Sporting, que disse não conseguir identificar nenhum dos agressores, admitiu não ter visto Bruno de Carvalho na academia naquele dia, mas disse saber que “ele estava num gabinete, depois de ter chegado com o André Geraldes, uma hora e meia depois da invasão”.

Jogadores querem distância dos arguidos

Miguel Moutinho, advogado do Sporting, apresentou um requerimento para que as inquirições aos oito jogadores, que devem testemunhar em breve, sejam feitas por videoconferência, para “os proteger das pressões da sala de audiências, onde se encontram os arguidos”.

Em alternativa, o advogado propõe que Wendel, Mathieu, Acuña, Battaglia, Luís Maximiano, Coates, Ristovski e Bruno Fernandes, sejam ouvidos em tribunal, mas sem a presença dos arguidos, para evitar constrangimentos.

Os oito jogadores deveriam ser ouvidos esta semana, mas devido a compromissos da equipa de futebol, que joga na quarta-feira em Barcelos, frente ao Gil Vicente, para a Taça da Liga, o clube lisboeta pediu um reagendamento das audições.

Os futebolistas encontravam-se na academia do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, quando a equipa do Sporting foi atacada por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina, que agrediram técnicos, jogadores e outros funcionários do clube.

ZAP // Lusa

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