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Afinal os Neandertais não expulsaram os humanos da Península Ibérica

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Um estudo americano, publicado recentemente, sugere que os Neandertais terão ocupado a Península Ibérica cinco mil anos antes do que se pensava.

À medida que os primeiros humanos se espalharam pelo planeta, substituindo outros hominídeos pelo caminho, os Neandertais tentaram passar despercebidos num canto do oeste europeu – a Península Ibérica.

Pelo menos, era o que se pensava. Mas um estudo publicado em julho veio revelar que o domínio dos Neandertais na Península Ibérica terá começado muito antes.

Os humanos ocuparam o atual centro de Portugal cerca de cinco mil anos antes do que tinha sido estabelecido pelos investigadores. A nova linha cronológica é baseada na descoberta de ferramentas de pedra, usadas pelos homens modernos numa caverna perto do Oceano Atlântico.

A caverna, chamada Lapa do Picareiro, tinha ferramentas de pedra usadas para a caça e para a culinária, semelhantes a outras encontradas em diferentes locais da Eurásia. A descoberta muda o conhecimento que os investigadores tinham sobre a propagação dos humanos modernos.

Estimativas anteriores apontavam para a chegada dos humanos modernos ao norte da Península Ibérica, no mínimo há 40.500 anos e no máximo há 43.300 anos atrás. Além disso, os investigadores acreditavam que a ocupação do sul e do oeste da Península teria acontecido entre seis mil e 12 mil anos depois.

O novo estudo identificou artefactos humanos no centro de Portugal que datam de 41.100 a 38.100 anos atrás. Esta descoberta sugere que os humanos estiveram, provavelmente, presentes na região muito antes do que se pensava e que se espalharam rapidamente pelo sul da Europa, não existindo uma fronteira entre eles e os Neandertais.

O estudo desafia a velha crença de que os Neandertais impediram o caminho dos humanos para o oeste e mostra que os humanos modernos terão feito uma “dispersão sem impedimentos” pela Eurásia ocidental.

Além disso, estudos anteriores mostram que Neandertais e humanos se cruzaram, havendo provas de que todos os humanos vivos ainda têm um pouco de ADN de Neandertal. Ainda assim, os investigadores ainda não tinham encontrado evidências do contacto entre grupos de humanos e Neandertais, na Península Ibérica.

Brandon K. Zinsious et al

A dispersão dos humanos modernos através do oeste da Euroásia

As novas descobertas também “apoiam a ideia de que as mudanças climáticas e ambientais desempenharam um papel significativo” na migração humana, escreveram os autores do estudo num comunicado, citados pelo Inverse.

Períodos secos e frios podem ter levado à diminuição das populações de Neandertais, abrindo espaço para os humanos. Como resultado, os humanos modernos dispersaram-se num padrão de “mosaico” à medida que substituíam as populações de Neandertais, dizem os investigadores.

À medida que a compreensão da história da nossa própria espécie muda, a imagem de como a humanidade começou a existir torna-se mais clara. Mas o quadro está longe de estar concluído, disse Jonathan Haws, principal autor do estudo e professor da Universidade de Louisville.

“Já escavo o Picareiro há 25 anos e quando se começa a pensar que não tem mais segredos para revelar, uma nova surpresa é descoberta”, disse Haws. “De poucos em poucos anos, alguma coisa notável aparece e nós continuamos a escavar”, atirou.

  ZAP //

2 Comments

  1. Estudos recentes deram como comprovado que o último neandertal em Portugal morreu a 27 de julho de 1970 e ,em Espanha, a 20 de novembro de 1975.

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