Açores têm a primeira estação experimental de ecologia do país

J.L.A. Silveira, P.N.Costa / Wikimedia

Lagoa do Negro, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores

Os Açores têm a primeira estação experimental de ecologia de Portugal, na qual investigadores estão a estudar o processo de renaturalização de uma pastagem e procuram descobrir como pode ser mais rápido e rentável.

A estação, localizada na ilha Terceira, pretende estudar como é que podem ser feitas alterações ambientais, “de forma a melhorar a biodiversidade das áreas agrícolas e eventualmente provocar a renaturalização de áreas que sejam necessárias renaturalizar”, disse à Lusa Eduardo Dias, diretor do Gabinete de Ecologia Aplicada e Aplicada (GEVA) da Universidade dos Açores.

Os investigadores procuram ainda descobrir “como é que isso pode ser feito a baixo custo, de forma o mais ecologicamente suportável e utilizando métodos o mais rentáveis possível”.

Para Eduardo Dias, esta matéria ganha especial importância em Portugal e noutros países da Europa, com a nova Política Agrícola Comum, porque é preciso “garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e a manutenção da biodiversidade”.

“Nesta mudança de paradigma em termos do uso do território, em que a agricultura começa a ser mais confinada a áreas com maiores produtividades e há uma tendência de abandono das terras com menos produtividade, faz todo o sentido estudar estes processos”, salientou o cientista.

Eduardo Dias acrescenta que nalguns casos será possível “devolver” à natureza áreas que tinham anteriormente funções importantes como a retenção da água ou o controlo ambiental.

Ao contrário do que o nome possa indicar, uma estação experimental de ecologia não é um aparelho, mas um conceito científico.

eduardodias.com.pt

Eduardo Dias, diretor do Gabinete de Ecologia Aplicada e Aplicada da Universidade dos Açores

Eduardo Dias, diretor do Gabinete de Ecologia Aplicada e Aplicada da Universidade dos Açores

“São locais nos habitats dos organismos, no meio dos terrenos ou nas florestas, onde de alguma maneira nós conseguimos controlar o que lá se passa em termos das variáveis do ambiente e depois induzimos alterações no meio, o que nos permite estudar a reação dos organismos a essas alterações”, explicou o investigador.

A estação experimental da Terceira está montada em terrenos baldios na bacia da Lagoa do Negro, numa área sob gestão da direção regional dos Recursos Florestais.

Em 2007, o Governo Regional decidiu renaturalizar uma área de 10 hectares de terrenos baldios na bacia da Lagoa do Negro, tendo iniciado a plantação de espécies endémicas.

Eduardo Dias, na altura responsável pelo projeto, apercebeu-se  de que seria possível criar naquele espaço uma estação experimental de ecologia, já que “tínhamos relativo controlo sobre os acessos, sabíamos exatamente o que é que lá estava e até se podia abrir as águas”.

“Temos uma área de 10 hectares que está a sofrer um processo de renaturalização, com recuperação de florestas e trufeiras, e uma parte dessa área está a servir de estação experimental”, explicou.

Desde 2010 que uma equipa de três investigadores da Universidade dos Açores faz estudos no local, com o apoio dos serviços florestais, bem como outros quatro alunos, que neste momento desenvolvem duas teses de doutoramento e duas teses de mestrado.

Os cientistas procuraram recriar um cenário em que a natureza recupera de perturbações, para identificar “os momentos chave” e medir os processos, em cada fase, por exemplo, na quantidade de nutrientes, na quantidade da água ou na reação do solo.

Entre outros projetos, os investigadores procuram perceber como é que as aves introduzem sementes naquela zona, como é que os musgões das turfeiras são capazes de substituir a pastagem ou como é que se pode utilizar o gado para pressionar a erva da pastagem a desaparecer.

Para Eduardo Dias, estas estações são uma espécie de “laboratório” e os resultados são mais fiáveis no terreno, porque quando se trazem as espécies para um recinto fechado, como uma estufa, o seu comportamento não é exatamente igual, já que estão protegidos da chuva e do vento, por exemplo.

O investigador considerou que devem surgir no arquipélago mais estações deste género, “porque faz todo o sentido que o estudo da ecologia dos Açores dê o salto para o terreno”.

/Lusa

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