A “nação espacial” de Asgardia lançou o primeiro satélite e reclama o seu território

(dr) Asgardia

O logotipo de Asgardia e o slogan “One Humanity, One Unity” foram aplicados às matrizes solares do satélite Asgardia-1.

Este domingo, Igor Ashurbeyli afirmou ter o seu primeiro território independente no espaço: a superfície do pequeno satélite Asgardia-1, um CuBesat de apenas um decímetro cúbico. Mas isso não faz (ainda) de Asgardia uma nação.

A proposta consiste na criação de um novo Estado-nação pacifista no espaço. O objetivo é permitir o “acesso” ao espaço sem os entraves que geralmente surgem entre os países quando se trata da “corrida espacial”.

Asgardia nasceu em 2016, ano em que um grupo de cientistas proclamou a nova nação no espaço, mas a intenção dos líderes é apresentar oficialmente às Nações Unidas em 2018  a nação asgardiana.

Atualmente, Asgardia tem 133.395 asgardianos, que se inscreveram online para ser cidadãos de um território que provavelmente nunca poderão pisar. Igor Ashurbeyli é considerado o líder desta protonação, embora já exista uma declaração de intenções e uma ação para transformar a Asgardia numa democracia.

Asgardia não é para já nada mais do que uma superfície metálica brilhante – o pequeno satélite CubeSat, conhecido como Asgardia-1, que foi lançado este domingo.

O satélite levou consigo um arquivo com os dados dos seus cidadãos. Este símbolo tem a intenção legal de colocar no espaço os dados pessoais dos cidadãos, de modo a fornecer um território físico que sustente a criação da nação.

E, segundo Ram Jakhu, diretor do Instituto Jurídico do Ar e Espaço da Universidade McGill, Asgardia pode mesmo tornar-se numa nação.

Jakhu é o especialista jurídico responsável pelo caso desta protonação que, a partir desta semana, cumpre três dos requisitos que a ONU impõe às entidades que querem ser reconhecidas como um Estado: ter cidadãos, um governo e um território físico que o represente.

Mas há especialistas que discordam. O tratado espacial, aceite por todas as nações do mundo, especifica que nenhum objeto fora da Terra pode ser reivindicado por um Estado. Isso não afetaria o Asgardia-1, uma vez que mantém a jurisdição da nação que o lançou. No entanto, Asgardia ainda não existe, logo não tem qualquer tipo de jurisdição.

Por outro lado, o reconhecimento de uma nova nação tem que ser aprovado por três quartos do Conselho de Segurança da ONU. Mas uma nação cujo território despovoado é um minúsculo cubo metálico no espaço apresenta muito poucas credenciais para apoiar o seu reconhecimento.

Finalmente, apesar de a ONU poder legitimá-la, o Reino Espacial de Asgardia tem também que ser reconhecido pelos restantes países.

Com efeito, uma nação não existe se as outras não a considerarem como tal. E que países estarão interessados em reconhecer a nação que os vais ultrapassar, contornar as leis internacionais, e ser o primeiro governo no Espaço?

 

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

Milhares de manifestantes voltam às ruas de Hong Kong

A polícia de Hong Kong deteve, este domingo, onze pessoas e apreendeu várias armas, incluindo uma pistola, pouco antes do início de uma manifestação convocada para a cidade, para a qual se espera uma forte …

Irão e Estados Unidos trocam prisioneiros

Irão e Estados Unidos realizaram, este sábado, uma troca de prisioneiros que envolveu a troca de um investigador sino-americano por um cientista iraniano detido pelos EUA, num avanço diplomático que surge após meses de tensão …

Coreia do Norte anuncia "teste muito importante" em local de lançamento de mísseis

A Coreia do Norte anunciou ter realizado um "teste muito importante" no local de lançamento de mísseis de longo alcance, defendendo que terá um efeito fundamental na futura posição estratégica do país. A Agência Central de …

Balas que assassinaram John F. Kennedy preservadas em modelo 3D

A partir do próximo ano, os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos vão disponibilizar, no seu catálogo online, imagens 3D das balas que assassinaram o antigo presidente norte-americano John F. Kennedy. Para criar os modelos das …

Pela primeira vez, neurónios artificiais foram criados para curar doenças crónicas

Uma equipa de investigadores conseguiu recriar as propriedades biológicas dos neurónios em chips, que podem ser úteis ajudar na cura de doenças neurológicas crónicas. Naquele considerado um feito única na ciência, investigadores da Universidade de Bath …

Cientistas encontram uma relação negativa "muito forte" entre inteligência e religiosidade

Uma equipa de investigadores sugere que pessoas religiosas tendem a ser menos inteligentes do que pessoas sem crenças religiosas. O estudo tem gerado uma grande controvérsia. A religião é um tema forte, capaz de juntar ou …

Descoberta nova espécie de tubarão pré-histórico que podia chegar aos sete metros

Uma nova espécie de tubarão pré-histórico foi descoberta no Kansas, nos Estados Unidos. Este predador podia crescer até quase sete metros de comprimento. De acordo com a revista Newsweek, Kenshu Shimada, da Universidade DePaul, e Michael …

Conhecido medicamento para diabetes pode conter um carcinógeno

A Food and Drug Administration, agência federal e reguladora do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, está a testar amostras de metformina, um medicamento para diabetes que pode conter o carcinógeno N-Nitrosodimetilamina …

Nobel da Física diz que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra

Didier Queloz disse, este sábado, estar convencido de que o ser humano não está concebido para viver fora da Terra, razão pela qual está "zangado" com alguns argumentos do cofundador da Tesla, Elon Musk. Os suíços …

Ford está a reciclar palha de café do McDonald's. Quer transformá-la em peças de carro

https://vimeo.com/377768195 A Ford está a fabricar peças de carro através de palha de café reciclada do McDonald's. A iniciativa contribui para a redução da pegada ecológica e do desperdício alimentar. O combate às alterações climáticas cabe um …