Infusão de cetamina pode ajudar as pessoas a deixar o vício do álcool

Mahrael Boutros / Pexels

Uma infusão da cetamina pode representar “nova esperança” no tratamento de milhões de pessoas com problemas de álcool, segundo um novo estudo.

As pessoas com vício em de álcool que receberam infusões de cetamina, juntamente com terapia psicológica, deixaram de beber durante mais tempo do que as que receberam um tratamento padrão para o alcoolismo, de acordo com os resultados de um estudo publicado esta terça-feira no American Journal of Psychiatry.

O risco de recaída no grupo que recebeu cetamina e terapia aos seis meses foi 2,7 vezes menor do que nos que receberam um placebo e educação para a cessação do consumo de álcool, de acordo com os investigadores da Universidade de Exeter e Awakn Life Sciences.

“Não tivemos novos tratamentos para o alcoolismo nos últimos cinquenta anos. Descobrimos que doses controladas e baixas de cetamina combinadas com terapia podem oferecer uma nova esperança para os alcoólicos e salvar vidas”, afirmou Celia Morgan, autora correspondente do estudo.

A cetamina é utilizada para o alívio da dor e para adormecer as pessoas durante as operações cirúrgicas. A Organização Mundial de Saúde rotulou-a como “medicina essencial” desde 1985.

A cetamina pode causar alucinações, dissociação e mudanças na perceção, uma das razões pelas quais tem o potencial de tratar condições de saúde mental caracterizadas por um comportamento rígido, tal como a dependência.

Morgan, professora de psicofarmacologia na Universidade de Exeter, realçou que a abordagem era “uma mudança radical dos serviços normais de tratamento da toxicodependência, particularmente utilizando uma droga como catalisador para a terapia psicológica”.

A docente acrescentou também que os participantes receberam três infusões, durante três semanas, com uma sessão final de terapia na quarta semana.

“É realmente promissor que os efeitos tenham sido observados seis meses após uma duração bastante curta do tratamento“, notou a investigadora.

“Esperamos que aqui no Reino Unido seja algo que esteja mais facilmente disponível dentro de três a cinco anos”, disse, acrescentando que a equipa estava a preparar-se para a sua aprovação como tratamento em países como os Estados Unidos também.

Morgan advertiu que o tratamento não funcionaria para todos os pacientes e que outros poderão precisar de sessões de “recarga”.

“Embora os efeitos sejam duradouros em alguns doentes, não é provável que seja um tratamento igual para todos”, refere a docente. “Precisaremos de explorar mais no futuro como as sessões de reforço podem ser dadas”.

Os investigadores também advertiram que será necessário realizar um estudo mais aprofundado para compreender melhor os potenciais benefícios da utilização da cetamina no tratamento do alcoolismo.

Allan Young, diretor do centro de desordens afetivas do King’s College London, realçou que havia uma “grande necessidade” de novos tratamentos para as desordens relacionadas com o consumo de álcool, uma área que, até hoje, não tem sido muito explorada.

As conclusões oferecem provas de que esta abordagem pode ser benéfica, o que “merece um estudo mais aprofundado“, afirmou o dirigente.

“É preciso ter números realmente grandes num estudo para mostrar que um medicamento é seguro”, e precisamos de descobrir se os seus efeitos duram mais de seis meses, acrescentou Young.

“Não há justificação para que se tome cetamina como tratamento para o alcoolismo neste momento. Mas é possível que isto possa dar origem a uma forma de tratamento médico no futuro”, nota. Celia Morgan afirmou ainda que a equipa planeia iniciar um ensaio final este ano.

  ZAP //

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