Cientistas encontraram 70 mil vírus nunca antes vistos no intestino humano

Biossintesis / Flickr

Bacteriófagos, vírus que podem infetar bactérias

Cientistas identificaram mais de 70 mil vírus, até então desconhecidos, que vivem no nosso intestino e infetam as bactérias que lá vivem (como afetam o nosso corpo é ainda um mistério).

No novo estudo, conta o site Live Science, os investigadores utilizaram um método chamado metagenómica – que consiste em analisar todo o material genético de uma comunidade de micróbios e, depois, mapear as sequências individuais encontradas em espécies específicas – para identificar os vírus.

A equipa analisou mais de 28 mil amostras do microbioma intestinal, retiradas de 28 países. Este processo revelou genomas completos para mais de 140 mil espécies de vírus que vivem no intestino humano (uma única pessoa, no entanto, carrega apenas uma fração destas espécies).

Embora vivam no nosso intestino muitos tipos de vírus, os cientistas concentraram-se em vírus que podem infetar bactérias, os chamados bacteriófagos, por serem aqueles que a ciência está ainda a tentar “descobrir o seu papel na saúde humana”, disse Luis Camarillo-Guerrero, autor principal do estudo publicado, a 18 de fevereiro, na revista científica Cell.

“Provavelmente, é seguro dizer que a grande maioria deles não nos é prejudicial, sendo simplesmente um componente integrante da microbiota do nosso corpo”, acrescentou o investigador, que concluiu recentemente um doutoramento no Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido.

“Como as comunidades bacterianas são um componente crítico do nosso intestino, não é difícil imaginar que os bacteriófagos possam ter um papel fundamental na manutenção de um equilíbrio saudável no nosso intestino”, disse ao mesmo site.

Porém, existem casos conhecidos em que os bacteriófagos contribuíram para certas doenças como, por exemplo, difteria e botulismo.

A equipa publicou, assim, os genomas desses vírus invasores de bactérias num novo banco de dados, chamado “Gut Phage Database“, que pode ser usado para orientar outros estudos científicos sobre estes vírus.

“Um genoma é como a planta de um organismo. A quantidade de informação que podemos extrair conhecendo apenas a sequência de ADN de um organismo é muito grande”, destacou Camarillo-Guerrero.

ZAP ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Melhor ‘e deixarem os virus e bacterias em paz…

    Se mexem so fazem porcaria como esses virus manipulados por lab militares… depois culpem os pobres dos animais…

  2. 70 mil novas oportunidades de negócio! Quando a loucura do covid passar já sabem onde ir procurar o próximo negócio do milénio!

  3. Está visto que isto anda tudo virado! Analisem o Tejo em Lisboa e irão encontrar triliões de vírus com tanto intestino a defecar para lá!

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