Só em 2018, GNR identificou 723 suspeitos de incêndio florestal

Miguel A. Lopes / Lusa

Só este ano, a Guarda Nacional Republicana (GNR) já identificou 723 pessoas pelo crime de incêndio florestal. Desde o dia 1 de janeiro, registaram-se 81 detenções. Mas um quarto dos incêndios que ocorrem no país não chegam sequer a ser investigados.

Estamos no oitavo mês do ano e já foram identificadas pela Guarda Nacional Republicana (GNR) 723 pessoas pelo crime de incêndio florestal só este ano. Além disso, segundo dados facultados à revista Sábado, desde o dia 1 de janeiro registaram-se 81 detenções.

Também a Polícia Judiciária (PJ) indicou a detenção de 14 pessoas até dia 5 de janeiro, sendo que destas, 8 ficaram sob prisão preventiva e 1 sob prisão domiciliária. No dia 6 deste mês, a PJ anunciou mais duas detenções, em Lousada e em Paredes, localidades do distrito do Porto.

A primeira detenção foi feita em parceria com a GNR e os Bombeiros de Lousada. O detido, um homem de 42 anos, é suspeito de ter provocado intencionalmente sete incêndios florestais, que ateou recorrendo a chama direta durante a madrugada do dia 4 de agosto. O indivíduo já foi presente a interrogatório judicial e ainda não foram decretadas as medidas de coação.

Em Paredes, conta a Sábado, o indivíduo detido é suspeito da autoria de um incêndio florestal em Duas Igrejas, no dia 3 deste mês. O fogo terá sido provocado com fósforos e líquido acelerante na sua própria viatura. O detido, de 35 anos, terá que se apresentar de três em três semanas às autoridades e será submetido ao tratamento da toxicodependência.

Um quarto dos incêndios não são investigados

Em 2017, segundo o relatório anual do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), houve 17.557 fogos em Portugal continental. No entanto, o Relatório Nacional de Segurança Interna refere que houve apenas 13.108 inquéritos para investigação.

Isto significa que a origem de 4449 incêndios – 25,4% do total de ocorrências – nunca chegou a ser escrutinada, avança o Diário de Notícias.

Ao jornal, Messias Fernandes, único guarda-florestal de Outeiro da Vinha, em Seia, disse acreditar que a falta de guardas-florestais está a pôr a floresta em perigo.

A 6 de novembro do ano passado, o ministro da Administração Interna anunciou, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2018, a contratação de 200 novos guardas-florestais, de modo a reforçar o atual corpo de 307 agentes.

Na altura, Eduardo Cabrita afirmou que a a contratação iria acontecer no início do ano, para garantir homens no terreno a partir de abril. Mas, apesar de o anúncio ter sido feito, nunca chegou a abrir.

Ao DN, o Ministério da Administração Interna explica que “foi iniciado um processo legislativo e abertas negociações entre o governo e os sindicatos, que ainda estão a decorrer“.

“Não há qualquer perspetiva de quando poderemos abrir o concurso”, afirma o representante sindical Rui Raposo, acrescentando que “a única certeza que podemos ter é que, mesmo que o ministro decida avançar amanhã, estes homens terão de passar por um processo de formação e nunca estarão prontos para ir para o terrenos até ao final do ano”.

Por sua vez, quando confrontado com o facto de um quarto dos incêndios não serem investigados e com a promessa que não foi cumprida de reforçar a Guarda Florestal, o MAI respondeu que, no combate no terreno, Portugal tinha neste ano “o maior dispositivo de sempre”.

Mas Rui Raposo denuncia que “o que está em causa também não é apenas a resposta imediata ao fogo, é tudo o que está a jusante e a montante“. “É a vigilância da floresta e a investigação criminal do fogo”, conclui o representante sindical.

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