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Em 1997, uma equipa de cientistas fez um sapo flutuar (e a experiência valeu-lhes um Ig Nobel)

Lijnis Nelemans / Wikimedia

A experiência comprovou o conceito do diamagnetismo, que assenta na ideia de que todos os objectos têm um campo magnético. O cientista que a liderou acabou por também vencer um Nobel da Física pela descoberta do grafeno.

Não, não estamos a falar de um dos vilões das bandas desenhadas de Sonic, mas antes de uma inovação científica tão inusitada que até foi galardoada com um Ig Nobel em 2000 — um prémio satírico criado em 1991 destinado a descobertas científicas triviais e estranhas.

Em 1997, um grupo de cientistas liderado pelo físico Andre Geim usou o magnetismo intrínseco de um sapo para o fazer levitar. Todas as coisas são magnéticas, umas mais que outras — e este conceito explica como o diamagnetismo pode fazer um sapo, ou qualquer outro objecto, momentaneamente “voar”.

Quando pensamos em objectos magnéticos, a primeira coisa que nos vem à cabeça são pedaços de metais como o ferro, mas estes são só os exemplos mais extremos.

Na verdade, todas as coisas têm um campo magnético, e os materiais diamagnéticos, como a água, são repelidos pelos campos magnéticos — o que na práctica significa que um campo magnético poderoso pode fazer um sapo, que é maioritariamente composto por água, flutuar.

A equipa de Geim colocou esta teoria à prova em 1997, ao colocarem um animal no centro de um íman, ficando o anfíbio a flutuar sozinho. A popularidade desta aventura científica fora da caixa foi tanta que valeu aos cientistas um Ig Nobel, o que atraiu ainda mais atenção para a experiência.

Na cerimónia onde recebeu o prémio, em 2000, Geim revelou que o sucesso da criação deste sapo “voador” abriu a porta a muitos convites, incluindo um vindo de um líder de um pequeno grupo religioso em Inglaterra, que lhes ofereceu “um milhão de libras se o fizéssemos levitar em frente à sua congregação para melhorar as suas relações públicas”, cita o NPR.

Para além de ter ficado famoso no vídeo que mostra a experiência e nos manuais escolares que a usam para explicar o diamagnetismo — e de, possivelmente, ter estranhado estar a pairar no ar, — o sapo em causa não sofreu mais nenhum efeito colateral da experiência, ficando são e salvo.

Então, será possível usar o mesmo fenómeno para fazer um humano “levantar voo”? Possível é, mas as máquinas que existem actualmente capazes de recorrer ao diamagnetismo para fazer um objecto levitar são ainda muito pequenas, e essa limitação no espaço ainda não nos permite repetir a experiência com uma pessoa.

Para além de ter feito um sapo levitar, Andre Geim, juntamente com Konstantin Novoselov, foi um dos cientistas que descobriu o grafeno em 2004. O estudo nesta área acabou por lhe valer um prémio Nobel da Física em 2010, sendo Geim a única pessoa até agora que venceu o prémio “a sério” e a versão paródia.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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