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Yuncheng Salt Lake. O “Mar Morto” da China é um dos mais coloridos (e populares) do Mundo

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O Xiechi Lake, também conhecido como Yuncheng Salt Lake, na província chinesa Shanxi, nos últimos anos, tornou-se popular no Instagram e outras redes sociais, graças a fotografias aéreas amplas da sua superfície colorida.

Segundo a CNN Travel, a China quer agora converter essa popularidade online em turismo da vida real. O primeiro passo será publicitá-lo aos viajantes nacionais chineses.

As campanhas recentes de turismo em meios de comunicação social chineses referem-se ao Xiechi como o “Mar Morto da China” e divulgam tanto a sua beleza como as suas propriedades curativas.

O país fechou as suas fronteiras no início de 2020 e continua a ser um dos poucos destinos no mundo a aderir à estratégia de “Covid zero”, que inclui políticas de quarentena muito rigorosas.

Mas a China quer fazer regressar o turismo ao país, assim a pandemia o permita, e o Lago Xienchi é uma aposta forte para fazer crescer a já impressionante lista de atrações turísticas à espera de visitantes.

De acordo com o governo da cidade de Yuncheng, o Lago Xienchi tem duas características muito semelhantes às do conhecido Mar Negro, entre a Anatólia e o Cáucaso: uma lama negra com propriedades restauradoras e curativas, e as pessoas podem flutuar ao longo da superfície da água sem se afundar.

Como se forma um “Mar Morto”?

Há três tipos de lagos de sal no mundo: carbonato, cloreto e sulfato. O Mar Morto e o Grande Lago de Sal em Utah são ambos lagos de Cloreto.

Bernie Owen, professor de geografia da Universidade Baptista de Hong Kong, explica que “se o sulfato na água for maior que o cálcio, todo o cálcio é consumido, o que nos deixa com um excesso de sulfato, e temos um lago de sulfato”.

Xiechi é também um lago de “bacia fechada” — o que significa que não corre para um rio ou para um oceano — o que explica como o seu teor de sal se mantém tão elevado. “A água entra com sal e escapa, o sal fica para trás, mais água entra com sal, evapora-se. O sal fica para trás“, explica Owen.

“Não há qual quer saída, apenas se tornará mais salgado e mais salgado e mais salgado”, conclui o investigador.

Mas e as cores deslumbrantes que tornaram o lago tão popular entre os fotógrafos? Owen explica que têm a haver com as espécies e plantas que vivem na água. “Se tivermos camarões em salmoura, temos tendência a ter água com cores vermelhas“.

Owen acrescenta também que há um animal microscópio, chamado rotífero, que, se dá uma cor púrpura às águas em que habita. “O púrpura tende a apanhar algas verdes. E depois as cores verde e laranja ocorrem em lagos muito salinos“.

“É possível que os lagos salgados congelem, embora não tão rapidamente como outros lagos, afinal de contas, pense no que acontece quando espalhamos sal por estradas geladas. A água salgada congela a temperaturas mais baixas do que a água doce” acrescenta Owen.

De Lago a Superestrela

De acordo com alguns meios de comunicação, a China estará a tomar medidas para tornar o Lago Xiechi num Património Mundial da UNESCO.

Numa publicação na rede social chinesa WeChat, em 2019, Luo Huining, Secretário do PCC da província de Shanxi, anunciou que os funcionários locais tinham iniciado o processo de candidatura.

“Yuncheng Salt Lake é a cristalização da cultura e civilização chinesa. O lago salgado tem um significado positivo para a promoção da nossa confiança e património cultural”, afirmou na altura.

A China tem-se concentrado na formalização das suas propostas à UNESCO, que podem ser dispendiosas e demoradas, como forma de conferir legitimidade internacional às suas muitas maravilhas históricas e naturais.

Atualmente, a China tem 56 locais designados Património Mundial, colocando-o apenas em segundo lugar na lista total, atrás apenas da Itália.

Esta proeza é ainda mais impressionante considerando que as primeiras entradas da China na lista de Património Mundial da UNESCO – que incluíam a Grande Muralha e a Cidade Proibida — só aconteceu em 1987.

Mas mais duas entradas permitiriam à China ultrapassar a Itália e assegurar o primeiro lugar na lista da UNESCO.

  Inês Costa Macedo, ZAP //

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