Yasuke: O primeiro e único samurai africano, levado por portugueses para o Japão

Yasuke foi o primeiro e único samurai africano da história japonesa. Provavelmente de origem moçambicana, terá sido levado para o Japão por portugueses.

“弥助” são os caracteres do alfabeto japonês que representam “Yasuke”, o primeiro e último samurai africano do Japão. Foi o único estrangeiro a consegui-lo, há 450 anos, obtendo um título restrito aos melhores guerreiros japoneses.

Yasuke nasceu em Moçambique e, embora não haja evidências, é possível que tenha vindo de Portugal, Angola ou Etiópia. A sua história está envolta em muitas dúvidas, visto que os relatos são de muitos anos depois da sua morte, pelo que podem estar incorretos.

Em 2013, uma investigação levada a cabo pela Light Entertainment Television Program sugeriu que Yasuke era um macua chamado Yasufe. Os macuas são um povo originário de Moçambique e da região de Mtwara, na Tanzânia.

Apesar de ter sido uma elabora investigação jornalística, o programa apresenta poucas provas conclusivas. O facto de os macuas não terem tido qualquer contacto significativo com os portugueses em Moçambique até 1585 levanta questões quanto à veracidade da teoria.

Outra teoria sugere que Yasuke pode ter sido um membro dos WaYao, que iniciaram o seu contacto com os portugueses nessa altura.

Thomas Lockley, que escreveu o livro “Yasuke: The True Story of the Legendary African Samurai”, argumenta que a teoria mais credível é que Yasuke era um abexim da Etiópia.

Pouco se sabe sobre a vida da Yasuke, sendo que a principal fonte para a sua história no Japão foi escrita pelo missionário jesuíta português Luís Fróis.

Yasuke chegou ao Japão em 1579 a serviço do missionário jesuíta italiano Alessandro Valignano. Acabaria por causa muita agitação devido à sua cor de pele, com centenas de pessoas a reunirem-se para ver Yasuke.

O dáimio Oda Nobunaga foi um dos muitos que ficou intrigado com Yasuke e quis vê-lo. Ele terá sido o primeiro africano que Nobunaga viu, mas foi apenas um dos muitos africanos que vieram com os portugueses para o Japão durante o Período Nanban.

Segundo o historiador Lawrence Winkler, a novidade de um homem africano causou sensação entre a população local, com um relato do samurai Matsudaira letada a descrever a sua altura de quase 1,90m e a sua pele, “que era como carvão”.

Suspeitando de que a cor de pele negra era pintada com tinta, Nobunaga fez com que ele se esfregasse e lavasse. Este foi um dos episódios descritos por Luís Fróis a Lorenço Mexia, em 1582, no Relatório Anual da Missão Jesuíta no Japão.

Oda Nobunaga percebeu então que, de facto, Yasuke era mesmo negro e quis que este o ficasse a servir no Japão. E assim foi.

O senhor feudal salientou a força de Yasuke, descrevendo-a como dez vezes superior à dos homens normais.

É provável que Yasuke conseguisse falar ou lhe tivesse sido ensinado japonês, que o atraiu para as atenções de Oda Nobunaga. A relação entre ambos levou a que Yasuke fosse presenteado com uma katana cerimonial curta e o título de samurai.

Terá sido mesmo o único “guerreiro” não-japonês que Oda tinha na sua comitiva, o que poderá ter justificado a sua rápida ascensão social.

Yasuke serviu na campanha de Nobunaga durante a Batalha de Tenmokuzan, mas em 1582, Oda Nobunaga foi traído pelo seu general Akechi Mitsuhide.

Os exércitos de Akechi cercaram Nobunaga, que em desespero optou por seppuku, uma forma de suicídio ritual japonês por esventramento.

O destino de Yasuke tem sido especulado por historiadores ao longo dos anos. Pode ter sido exilado para uma missão jesuíta em Quioto, mas após a morte de Nobunaga e a captura de Yasuke não há mais nenhum texto histórico que mencione o samurai africano.

Em setembro de 2018, a Netflix e o estúdio japonês MAPPA anunciaram uma série animada de Yasuke, dirigida por LeSean Thomas. A série é inspirada em factos reais, retratando muitos dos acontecimentos históricos mencionados acima.

  Daniel Costa, ZAP //

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