Vladi, a “formiga do inferno” pré-histórica com corno de metal, intriga os cientistas

(dr) P. Barden & D. A. Grimaldi

Linguamyrmex vladi, a “formiga do inferno” encontrada na Birmânia

Uma equipa de cientistas descobriu, na Birmânia, um novo tipo de “formiga do inferno” – uma espécie que tinha as mandíbulas reforçadas com um componente do metal e usada para beber sangue das presas.

Nos tempos pré-históricos, quando ainda predominavam os dinossauros, havia outras criaturas fascinantes que tinham certas estratégias para se adaptar a este ambiente hostil. Um desses casos era a “formiga do inferno”, um grupo de insetos que viveu no período Cretáceo e que se caracterizava por um estranho aparelho bucal.

Felizmente para os cientistas, foi agora descoberta um exemplar desta espécie com 98 milhões de anos, preservada em âmbar, na Birmânia, que pode dar mais detalhes sobre estes animais pré-históricos, avança o Science Alert.

Batizada de Linguamyrmex vladi, esta espécie usava as suas mandíbulas, parecidas com uma tesoura, para capturar e picar as presas e tinha à volta delas ‘cabelos’, tal como as formigas atuais têm agora, que ajudam as garras a fechar-se a uma grande velocidade.

Esta formiga tinha ainda uma espécie de ‘corno’ em cima das mandíbulas para prender as suas vítimas e evitar que se magoasse ao fechar a boca.

Os investigadores, liderados por Phillip Barden, do Instituto Tecnológico de Nova Jersey, nos EUA, dizem que a L.vladi tinha ainda um canal entre as mandíbulas e acham que serviria para sugar a comida em vez de a mastigar.

O exemplar foi encontrado ao lado de uma grande larva de besouro, que terá sido uma presa perfeita de corpo macio para um predador de sucção de líquido como esta formiga.

Barden et al., Syst Entomol (2017) / ScienceAlert

A Linguamyrmex vladi ao lado da larva do besouro

Para tornar esta formiga ainda mais estranha, uma análise de raios-X mostrou que o ‘corno’ em cima da sua cabeça estava reforçado com partículas de metal. Conclusão: não, a espécie não tinha um capacete para se defender mas sim a capacidade de recolher esta componente da sua dieta para partes do corpo que precisavam de ser reforçadas.

“Os insetos são conhecidos por recolher metais – em particular, cálcio, manganês, zinco e ferro – em ovipositores e mandíbulas para aumentar a força e diminuir o desgaste”, lê-se no estudo publicado na Systematic Entomology.

Segundo os investigadores, ter um espigão com infusão de metal teria permitido à “formiga do inferno” resistir à torção das presas se perdessem um golpe com os seus maxilares ou talvez tornar mais fácil amarrar os seus picos em presas com corpos macios.

“Até encontrarmos um espécime com a presa, o que provavelmente é apenas uma questão de tempo, vamos ter de continuar a especular”, disse Barden ao New Scientist.

Nos últimos 20 anos, os cientistas identificaram seis espécies de ‘formigas do inferno’, encontradas em âmbar na Birmânia, França e Canadá. Todas se destacam pelas especiais características das suas mandíbulas e estratégias de alimentação, que diferem muito dos métodos das formigas atuais.

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