Descobertos vestígios de um antigo oceano de magma na Gronelândia

(dr) Hanika Rizo

Cinturão Isua Greenstone, na Gronelândia

Cientistas descobriram que rochas da Gronelândia podem conter vestígios de um antigo oceano de magma que borbulhou em grande parte da superfície da Terra, logo depois do nascimento do nosso planeta.

A equipa recolheu estas rochas do Cinturão Isua Greenstone, no sudoeste da Gronelândia, que tem entre 3,7 e 3,8 mil milhões de anos e contém algumas das rochas mais antigas já conhecidas da Terra, conta o site Live Science.

De acordo com o novo estudo, os traços químicos dos primeiros oceanos de magma são ainda mais antigos do que as próprias rochas, tendo cerca de 4,5 mil milhões de anos, altura em que um objeto do tamanho de Marte chocou com a Terra, tendo arrancado o grande pedaço de rocha que mais tarde se transformou na Lua.

Quando objetos celestes do tamanho da Terra e de Marte colidem, “o derretimento quase total do planeta é uma consequência inevitável”, explicou ao mesmo site Helen Williams, professora de Geoquímica da Universidade de Cambridge e autora principal do estudo publicado, a 12 de março, na revista científica Science Advances.

À medida que essa rocha derretida arrefecia e se cristalizava, a Terra passou gradualmente a parecer-se com o mármore azul que conhecemos hoje, acrescentou. Porém, embora a maioria dos cientistas aceite esta teoria, “um dos grandes desafios continua a ser encontrar evidências geológicas de algo que aconteceu tão cedo na nossa história”, disse ainda.

O novo estudo mostra que as rochas deste cinturão na Gronelândia ainda apresentam “impressões digitais” químicas deixadas por este processo de arrefecimento primordial.

Para descobrir isso, os cientistas selecionaram um subconjunto de rochas vulcânicas das amostras do Isua, tendo escolhido apenas as mais primitivas. De seguida, serraram as suas superfícies expostas, lixaram-nas e esmagaram-nas até se transformarem num pó fino, que dissolveram em ácidos fortes.

Este processo permitiu aos investigadores examinar os isótopos dentro das amostras. A equipa estava à procura, especificamente, de isótopos que se teriam formado à medida que os oceanos de magma se cristalizavam.

Modelos sugerem que alguns remanescentes destes cristais teriam ficado presos no manto inferior, perto do núcleo da Terra, e preservados por muitos milhões de anos. Com o tempo, acabariam por avançar através do manto inferior para o superior, carregando consigo as “impressões digitais de isótopos” do oceano de magma, explicou Williams.

Estas “impressões digitais” incluem os isótopos de háfnio e neodímio, que se formam quando os seus isótopos originais decaem. Esta rutura ocorre num padrão específico, quando os primeiros isótopos são colocados sob pressões extremamente altas, como aquelas encontradas nas profundezas do manto inferior, disse ainda a investigadora.

A equipa encontrou também uma forma rara de tungsténio. Conhecido como “anomalia de tungsténio”, estes isótopos incomuns derivam de um antigo isótopo que existiu apenas nos primeiros 45 milhões de anos da história da Terra.

Segundo a investigadora, depois de terem descoberto os traços químicos dos oceanos de magma, a questão que agora se coloca é “se outras rochas antigas na Terra preservaram as mesmas assinaturas”.

Por isso, a equipa vai agora começar a procurar essas assinaturas em locais com rochas extremamente antigas e ainda com atividade vulcânica, como o Havai ou a Islândia.

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