Vacina antienvelhecimento tem sucesso em ratos de meia idade. E em humanos?

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(dr) Ulric Collette

Uma nova vacina tem mostrado resultados promissores contra o envelhecimento em ratos de laboratório, e os investigadores consideram que estão um passo mais perto de fazer o mesmo em humanos.

De acordo com o Live Science, a vacina experimental eliminou células envelhecidas com sucesso e ajudou os ratos a prolongarem as suas vidas e a inverterem alguns sinais de doenças, relacionadas com a idade.

“Eu acredito que os dados são bastante positivos”, refere Paul Robbbins, professor de bioquímica, biologia molecular e biofísica da Universidade do Minnesota.

Em teoria, a mesma abordagem funcionaria com humanos. Mas a principal questão é se seria seguro fazer o mesmo no corpo humano, segundo Robbins.

O investigadores explicam no estudo, publicado a 10 de dezembro na Nature Aging, que é preciso testar a vacina em mais animais, incluindo primatas, para depois passarem a humanos.

A nova vacina tem como alvo as células senescentes, que são aquelas que pararam de se multiplicar, devido a estragos ou stresse, mas que não estão mortas.

Estas células acumulam-se à medida que vamos envelhecendo, sendo que o sistema imunitário se vai tornando cada vez menos eficiente no que diz respeito a eliminar esse tipo de células do corpo.

As células senescentes libertam componentes que causam inflamações nas células saudáveis, e contribuem para doenças relacionadas com a idade, incluindo cancro, Alzheimer e aterosclerose — afeta o coração e os vasos sanguíneos.

Durante as últimas décadas, investigadores têm trabalhado com terapias que eliminam as células envelhecidas do corpo. Algumas delas conseguiram reduzir a inflamação, atrasando as doenças e prolongando a vida dos ratos. Paul Robbbins refere que parte vacinas chegaram a ser testadas em humanos

Os principais benefícios de usar a vacina, em vez de medicamentos, para atacar as células senescentes, é o facto de as pessoas, as 50 anos, por exemplo, evitarem acumular sequer este tipo de células, explica Robbins.

O sistema imunitário de uma pessoa que levasse a vacina iria estar programado para localizar e eliminar as células envelhecidas. No caso dos medicamentos com o mesmo objetivo, a pessoa teria de os tomar regularmente, porque as células iriam continuar a aparecer, após cada tratamento.

Para a criação de uma vacina que seja segura para humanos, os investigadores selecionaram as células envelhecidas como alvo, para ser atacado pelo sistema imunitário. Mas como todas elas se podem tornar senescentes, têm um aspeto diferente umas das outras.

Ao longo do estudo, os investigadores focaram-se apenas num tipo de célula, que se encontra no meio das artérias e das veias.

Analisaram também quais as proteínas que apareciam, em grande quantidade, na superfície dessas células, para saber quais atacar com a nova vacina.

Das proteínas identificadas, foi escolhida a GPNMB, que parece acumular, com a idade, em alguns tecidos, e contribuir para algumas doenças, sendo que aparece em abundância em determinadas células de cancro, incluindo melanomas.

Os investigadores examinaram tecidos de pacientes humanos com aterosclerose e descobriram que as células “contaminadas” tinham bem mais GPNMB que as células sem a doença.

A equipa pretendeu então avaliar a se a expulsão desta proteína do corpo, poderia ajudar a reduzir a densidade das plaquetas doentes.

Para testar esta ideia, utilizaram um rato com aterosclerose e eliminaram as células com GPNMB, através de modificações genéticas. Descobriram que a quantidade de plaquetas contaminadas diminuía drasticamente.

A vacina dada aos ratos fez com que o sistema imunitário criasse anticorpos para combater a proteína. Fixaram-se às GPNMB’s, e marcaram as células adjacentes para serem eliminadas.

Para ter a certeza que a experiência era bem sucedida, foram usados ratos de meia idade na tentativa de prolongamento da qualidade de vida.

Um facto “surpreendente” de acordo com Paul Robbbins, é a não existência de efeitos secundários da vacina. os ratos não mostraram qualquer tipo de reação adversa.

O professor acredita que “nunca vai haver uma antigénio que seja completamente específico para células senescentes”. Por isso, existe sempre a preocupação que a vacina ataque células saudáveis.

O objetivo da equipa de investigação, de acordo com Robbins, é que, e longo termo, seja desenvolvida uma vacina que consiga conter vários aspetos do envelhecimento, com uma só dose.

  ZAP //

1 Comment

  1. O sonho de uma vida muito prolongada é um erro crasso. Viver não é só uma questão biológica, é também uma questão psicológica. Será que as nossas mentes aguentariam o desgaste de viver 150 ou 200 anos? E, além disso, prolongar as nossas vidas significa tornar mais lento o processo de evolução da espécie, o que pode ser um erro tremendo. Uma vez eliminadas as causas de morte prematura, a duração normal das nossas vidas não deverá exceder os 100 anos e é com isso que nos devemos contentar.

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