Uma cidade norte-americana pagou para milhares de pessoas se mudarem (e o lucro já ultrapassa os 60 milhões)

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A cidade de Tulsa, nos Estados Unidos, tem mais de mil novos trabalhadores. Tudo devido ao projeto Tulsa Remote.

Segundo o Fast Company, cerca de 1.300 pessoas mudaram-se para Tulsa, no estado de Oklahoma, nos últimos anos, graças a um programa de trabalho remoto.

Uma dessas pessoas é Bee Law, uma mulher que nasceu em Rochester e viveu em Atlanta, Washington DC, São Francisco, Oakland, e Los Angeles.

Quando a empresária de 29 anos estava a decidir onde lançar a sua rede social para fãs de anime — QuirkChat —, cruzou-se com um anúncio para um programa chamado Tulsa Remote.

“Depois da pandemia eu sabia que não ia voltar para a Califórnia, por isso estava no limbo à procura daquele próximo lugar para chamar de base operacional”, contou, ao Fast Company.

O Tulsa Remote, que oferecia 10 mil dólares (cerca de nove mil euros) de subsídio de realojamento a quem se mudasse para a cidade, acabou por cumprir o seu objetivo e atraiu centenas de trabalhadores e empresários remotos.

Em troca, os candidatos aprovados teriam de viver em Tulsa por, pelo menos,12 meses.

Para além do subsídio de recolocação, o programa também proporciona aos candidatos selecionados um ano de espaço de co-working gratuito, workshops, eventos de networking e uma série de outros recursos.

Desde a sua fundação em 2018, o Tulsa Remote já levou cerca de 1.300 trabalhadores remotos para a cidade e um novo estudo sugere que o investimento está a dar frutos.

De acordo com o relatório publicado pelo Economic Innovation Group (EIG), por cada dólar gasto no incentivo à relocação, foram gerados 13,77 dólares em rendimentos de mão-de-obra local.

O estudo também concluiu que por cada dois membros do agregado familiar trazidos para Tulsa através do programa, foi criado um novo emprego local. Ao todo, estima-se que o Tulsa Remote tenha contribuído com 62 milhões de dólares em novos rendimentos de mão-de-obra para a economia local, só em 2021.

“Os trabalhadores remotos tendem a ser bem pagos. Por norma, estão em profissões digitais e profissionais de colarinho branco, e estas tendem a representar salários bastante elevados”, explica Kenan Fikri, diretor de pesquisa do EIG.

O rendimento médio anual dos membros do programa é de quase 105 mil dólares e “muito desse dinheiro permanece na economia local”, continuou.

O programa certo para a cidade certa

Apesar de Tulsa não ser a única cidade que oferece aos trabalhadores remotos dinheiro em troca da sua residência, os investigadores advertem que nem todas as cidades têm os mesmos benefícios económicos em troca.

“Este foi um programa do tamanho certo e concebido para preencher muitas lacunas” relativamente à força de trabalho, que teve um impacto significativo numa economia do tamanho da de Tulsa, disse o presidente e CEO do EIG, John Lettieri.

Aantes do Tulsa Remote, a cidade tinha uma migração líquida negativa de cerca de 1.200 por ano, e a maioria das pessoas que partiam tinham formação universitária.

Não é coincidência que o programa tenha procurado atrair aproximadamente o mesmo número de novos residentes. Como resultado, Lettieri diz que Tulsa não sofreu muitas das consequências negativas associadas a uma corrida de novos residentes bem remunerados, tais como um pico nos preços da habitação e o aumento do custo de vida.

  ZAP //

1 Comment

  1. O município de Bragança lançou um programa parecido (ainda que de muito menor escala) e foi um sucesso.
    A ÚNICA solução viável, neste momento, para travar o despovoamento do interior é atrair os teletrabalhadores. Notem: em Portugal já há muitas aldeias que têm acesso à Internet por fibra ótica quando certas zonas das grandes cidades ainda não têm!

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