Um dos anéis de Saturno não é como os outros

JPL / Space Science Institute / NASA

 O planeta Saturno, visto pela sonda Cassini durante o equinócio. Dados sobre o modo como os anéis arrefeceram durante esta altura fornecem informações sobre a natureza das partículas dos anéis.

O planeta Saturno, visto pela sonda Cassini durante o equinócio. Dados sobre o modo como os anéis arrefeceram durante esta altura fornecem informações sobre a natureza das partículas dos anéis.

Quando o Sol se pôs nos anéis de Saturno em agosto de 2009, os cientistas da missão Cassini da NASA assistiam de perto. Foi o equinócio – uma de duas vezes no ano de Saturno em que o Sol ilumina de lado o enorme sistema de anéis do planeta.

O evento constituiu uma oportunidade extraordinária para a sonda Cassini observar mudanças de curta duração nos anéis que revelam detalhes sobre a sua natureza.

Tal como a Terra, Saturno tem o seu eixo inclinado. Ao longo da sua órbita de 29 anos, os raios do Sol movem-se de norte para sul ao longo do planeta e dos anéis – e vice-versa.

A mudança da luz do Sol faz com que a temperatura dos anéis – formados por biliões de partículas geladas – varie de estação para estação.

Durante o equinócio, que durou apenas alguns dias, apareceram sombras invulgares e estruturas onduladas e, durante o crepúsculo deste breve período, os anéis começaram a arrefecer.

Num estudo publicado recentemente na revista Icarus, uma equipa de cientistas da Cassini anuncia que uma secção dos anéis parece ter tido uma ligeira “febre” durante o equinócio.

A temperatura mais alta do que o esperado forneceu uma janela única para a estrutura interior das partículas dos anéis, geralmente não disponível aos cientistas.

“Geralmente, não podemos aprender muito sobre a composição das partículas de gelo dos anéis de Saturno mais do que um milímetro abaixo da superfície. Mas o facto de uma parte dos anéis não ter arrefecido como esperado permitiu-nos modelar o que podem ser no interior,” afirma Ryuji Morishima, investigador do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, que liderou o estudo.

Os investigadores examinaram dados recolhidos pelo instrumento CIRS (Composite Infrared Spectrometer) da Cassini durante o ano em redor do equinócio, que essencialmente registou a temperatura dos anéis à medida que arrefeciam.

Compararam então a temperatura com modelos computacionais que tentam descrever as propriedades das partículas dos anéis numa escala individual.

O que descobriram foi intrigante.

Para a maior parte da gigante imensidão dos anéis de Saturno, os modelos previram corretamente o modo como arrefeceram à medida que caíram na escuridão.

Mas uma secção – o mais externo dos grandes anéis principais, o denominado Anel A – ficou mais quente do que os modelos previram. O pico de temperatura foi especialmente proeminente no meio do Anel A.

A fim de abordarem esta curiosidade, Morishima e colegas realizaram uma investigação detalhada de como as partículas dos anéis com estruturas diferentes aquecem e arrefecem durante as estações de Saturno.

Os estudos anteriores com base em dados da Cassini mostraram que as partículas geladas dos anéis são fofas, no exterior, como neve fresca. Este material exterior, chamado rególito, é criado com o passar do tempo, à medida que pequenos impactos pulverizam a superfície de cada partícula.

A análise da equipa sugere que a melhor explicação para as temperaturas do Anel A durante o equinócio é que o anel é composto em grande parte por partículas com aproximadamente 1 metro, principalmente gelo sólido com apenas uma fina camada de rególito.

“Uma alta concentração de pedaços de gelo sólido, nesta região dos anéis de Saturno, é inesperada,” afirma Morishima.

“As partículas dos anéis geralmente espalham-se e tornam-se uniformemente distribuídas ao longo de uma escala de tempo de aproximadamente 100 milhões de anos”, acrescenta.

A acumulação de partículas densas num só lugar sugere que, ou algum processo as colocou lá no passado geológico recente ou então as partículas estão, de algum modo, confinadas a essa zona.

Os cientistas sugerem um par de hipóteses para explicar esta aglomeração.

Uma lua poderá ter existido neste local dentro dos últimos 100 milhões de anos e terá sido destruída, talvez por um impacto gigante.

Alternativamente, alegam que pequenas luas, do tamanho de pedregulhos, podem estar a transportar estas partículas geladas e densas à medida que migram para dentro do anel.

Estas pequenas luas podem dispersar os pedaços de gelo no meio do Anel A enquanto quebram-se devido à influência gravitacional de Saturno e das suas luas maiores.

“Este resultado peculiar é fascinante porque sugere que o meio do anel A de Saturno pode ser muito mais jovem do que o resto dos anéis,” explica Linda Spiler, cientista do projeto Cassini do JPL e coautora do estudo.

“Outras partes do anel podem ser tão antigas quanto o próprio Saturno”, acrescenta.

CCVAlg

PARTILHAR

RESPONDER

Portugueses vencem "Óscares" de animação em Los Angeles

O filme “Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias” da realizadora portuguesa Regina Pessoa, venceu este domingo o prémio de Melhor Curta Metragem e Sérgio Martins venceu a Melhor Direção de Animação em Longa Metragem, pelo …

Juiz Neto de Moura muda nome com que assina acórdãos

O juiz Neto de Moura, envolvido em algumas decisões polémicas sobre violência doméstica, alterou o nome com que assina os acórdãos, avança o Jornal de Notícias na sua edição impressa deste domingo. De acordo com …

Violenta tempestade faz pelo menos 30 mortos em Minas Gerais

A violenta tempestade que desde quinta-feira assola o estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil, já provocou pelo menos 30 mortos e 17 desaparecidos, anunciou este domingo a Proteção Civil. De acordo com o novo balanço, …

Descobertas quatro novas espécies de tubarões que caminham

Foram descobertas quatro novas espécies de tubarões que caminham usando as suas barbatanas. Ao todo são já conhecidas nove espécies deste tipo de tubarões. Investigadores encontraram tubarões que caminham nas águas do norte da Austrália e …

Caso suspeito de infeção por coronavírus em Portugal deu negativo

A Direção-Geral da Saúde (DGS) informou este domingo que o primeiro caso suspeita de coronavírus em Portugal, com um paciente sob observação no Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, deu negativo após  análises. "A Direção-Geral da …

Francisco Rodrigues dos Santos é o novo líder do CDS

A moção de estratégia de Francisco Rodrigues dos Santos, sob o título "Voltar a Acreditar", foi a mais votada na madrugada domingo no 28.º congresso do CDS, em Aveiro, avançaram à agência Lusa fontes partidárias. A …

Cientistas descobrem proteína capaz de imitar os efeitos do exercício físico

A proteína, chamada de Sestrin, é capaz de proporcionar benefícios musculares muito semelhantes aos da prática de exercício físico. Um grupo de cientistas da Universidade de Medicina do Michigan, nos Estados Unidos, descobriu uma proteína …

Inscrição hebraica com 2.800 anos revela antigo nome bíblico

Uma equipa de arqueólogos encontrou um jarro com 2.8000 anos com a inscrição em hebraico "Benayo" no sítio arqueológico de Abel Beth Maacah, no norte de Israel, local várias vezes mencionado na Bíblia Hebraica.  De …

Braga vence FC Porto e conquista Taça da Liga. Sérgio coloca lugar à disposição

O Sporting de Braga venceu hoje o FC Porto por 1-0 e conquistou a Taça da Liga, com Ricardo Horta a marcar o golo decisivo aos 90+5, garantindo um troféu que os bracarenses já tinham …

Rara moeda de ouro com a cara de Eduardo VIII vendida por preço recorde

Uma rara moeda de ouro com o perfil do rei britânico Edward VIII foi vendida a um comprador particular pelo valor recorde de 1,3 milhões de dólares. A informação é avançada pela Royal British Mint, a …