Uganda. Ativista que desejou a morte do Presidente no útero da mãe foi condenada por obscenidade

Stella Nyanzi, antiga jornalista e investigadora da Universidade de Makerere, no Uganda, já tinha tido problemas por chamar ao Presidente do seu país, Yoweri Museveni, “um par de nádegas”. Em novembro de 2018, disse que o mesmo devia ter morrido no útero da mãe, tendo sido agora condenada por acosso informático e obscenidade.

“Gostava que o pus ácido que inunda o canal vaginal de Esiteri tivesse queimado o seu feto ainda por nascer. Arda tão mal como corroeu toda a moralidade e profissionalismo das nossas instituições públicas no Uganda”, escreveu a ativista, referindo-se à mãe do Presidente, num poema que publicou online.

No seguimento, Stella Nyanzi foi despedida da universidade. Grávida, acabou por perder a criança. Presa numa prisão de alta segurança, foi agora condenada por acosso informático e obscenidade num tribunal, informou o Expresso na segunda-feira.

“A minha presença no vosso tribunal como ré e presa põe em relevo várias facetas da ditadura. Eu expus o entrincheiramento da autocracia. Recuso ser mera espectadora na luta para correr com o pior ditador”, comentou.

O tribunal explicou que ninguém tem o direito de lançar obscenidades contra outra pessoa, independentemente de quem esta seja. Mas dado que Yoweri Museveni se encontra no poder há 33 anos e é há muito tempo alvo de acusações por abuso de direitos humanos e corrupção, ao criticá-lo de forma tão aguerrida, Stella Nyanzi adquiriu um estatuto de heroína popular, bem como a solidariedade de instituições como a Amnistia Internacional (AI), que através de um representante exigiu agora a sua libertação.

“Stella Nyanzi foi criminalizada unicamente pelo seu élan criativo no uso de metáforas e o que pode ser considerado linguagem insultuosa para criticar a liderança do Presidente Museveni”, disse a AI.

“O mero facto de formas de expressão serem consideradas insultuosas para uma figura pública não é motivo suficiente para penalizar alguém. Os servidores públicos, incluindo aqueles que exercem a mais elevada autoridade política, estão legitimamente sujeitos a crítica e oposição politica“, concluiu.

Taísa Pagno TP, ZAP //

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