Trump assina “fase um” do acordo comercial com a China

The White House

Liu He e Donald Trump.

Após mais de um ano e meio de guerra comercial entre os EUA e a China, Donald Trump assinou esta quarta-feira a “fase um” do acordo comercial entre os dois países.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta quarta-feira aquela que apelidou de “fase um” do acordo comercial com a China. Com o objetivo de terminar com a disputa comercial entre os dois países, a “fase dois” do acordo será assinada em Pequim, na China.

Ambos os presidentes já tinham negociado tréguas na guerra comercial em outubro do ano passado e, agora, depois de muitas negociações, um acordo está perto de ser assinado.

A Casa Branca recebeu o primeiro-ministro chinês Liu He, esta quarta-feira, onde foi assinado a primeira parte do acordo comercial, um documento de 86 páginas em que os países concordam com o apaziguar da situação comercial.

Segundo o Expresso, embora ainda haja alguma pressão alfandegária, ficou decidida uma redução significativa das taxas aduaneiras aplicadas.

President Trump Participates in a Signing Ceremony of an Agreement Between the U.S. and China

Watch LIVE at 11:30 a.m. ET as President Trump signs a Phase One trade deal between the U.S. and China!

Publicado por The White House em Quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Transferência de tecnologia, propriedade intelectual, manipulação da moeda e importações de bens norte-americanos para a China são alguns dos temas incluídos no acordo comercial, de acordo com o Jornal de Negócios.

O acordo define ainda que a China terá de comprar mais aos EUA em serviços e bens transformados, alimentares e energéticos. O valor total é de 200 mil milhões de dólares em dois anos que contribuirão para a redução do défice comercial que os EUA têm com a China.

As autoridades chineses vão deixar de exigir às empresas estrangeiras que transfiram a tecnologia para as empresas chinesas e a China irá ainda implementar um sistema legal de proteção da propriedade intelectual.

No entanto, o acordo não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA sobre 360 mil milhões de dólares (323 mil milhões de euros) de produtos importados da China e exclui reformas profundas no sistema económico chinês, incluindo a atribuição de subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Os EUA vão assim manter taxas alfandegárias adicionais de 25% sobre 250 mil milhões de dólares (quase 225 mil milhões de euros) de bens importados da China e de 7,5% sobre mais 120 mil milhões de dólares (quase 110 mil milhões de euros).

O FMI deverá agir como uma espécie de mediador no conflito relativo a uma alegada manipulação da moeda por parte dos chineses. Ambos os países têm de deixar que as forças de mercado ajam por si mesmas.

Liu He considera que o acordo “é benéfico para as duas partes” e que agora só resta “implementá-lo de verdade”. Trump, por sua vez, enalteceu a ação da sua equipa que negociou com Pequim.

Esta é uma vitória importante para Donald Trump, já que enfrenta um processo de impeachment que o poderá afastar do cargo de presidente norte-americano.

Imprensa chinesa aconselha cautela

A imprensa oficial chinesa saudou hoje a assinatura de um acordo parcial com os Estados Unidos, para pôr fim à guerra comercial, mas alertou que continuam a existir incertezas nas relações entre os dois países. A agência noticiosa oficial Xinhua celebra o acordo alcançado após uma “dura luta”.

“Isto significa que as duas maiores economias do mundo estão agora a tentar encontrar uma maneira mais razoável de resolver as suas diferenças”, apontou.

O jornal oficial em língua inglesa China Daily espera que a trégua “leve a uma paz duradoura” entre Pequim e Washington e o jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), o Diário do Povo, considera a assinatura do texto um “novo começo” para as relações bilaterais.

A televisão estatal CCTV indicou que o acordo é do “interesse comum” da China e dos Estados Unidos. A imprensa estatal chinesa ressalvou, porém, que a assinatura do texto “não é um seguro contra todos os riscos”.

“A euforia é temperada pela sensação de que o acordo realmente não importa muito”, notou o China Daily, em editorial. Segundo o jornal, existe a “perceção” de que, se o texto não for respeitado, isso comprometerá a próxima fase do acordo e levará automaticamente a renovadas tensões.

Também o jornal Global Times, uma ramificação do Diário do Povo, questiona em editorial o valor real do compromisso assinado na quarta-feira.

“Um acordo comercial parcial, concluído durante um período em que as relações estratégicas China-EUA estão claramente em declínio, será que funcionará”, escreveu. “Será que isto dará lugar a novos conflitos ou a novos progressos, à medida que as negociações continuarem?”, insistiu o jornal. “Muita incerteza permanece”, destacou.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O 1º ministro, António Costa, deve ter confundido, que Portugal, é um grande montador de carros, com fabricante de Automóveis. O que é que Portugal fabrica de Automóveis, que não seja, alguns componentes? Ou seja: para que Portugal dizer que fabrica um Automóvel, era preciso que importasse para esse automóvel,no máximo 20 ou 30% do seu valor. Ora, não é o que acontece. Penso mesmo, que importa mais de 80 % do que precisa para montar um carro. O resto é mão de obra e pequenas componentes.

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