As tempestades de poeira podem ter roubado a água do Planeta Vermelho

NASA / JPL-Caltech / MSSS

Fortes tempestades elevam as moléculas de água no ar do Planeta Vermelho, onde podem ser facilmente perdidas no Espaço.

Os cientistas procuram entender de que forma as partículas de poeira, que geralmente preenchem a atmosfera, poderiam impactar os astronautas e os seus equipamentos há já algum tempo. Aliás, é por esse motivo que os humanos possuem oito naves espaciais a orbitar o Planeta Vermelho ou itinerantes na sua superfície.

Para os investigadores, as fortes tempestades de poeira, como a que “apagou” a sonda Opportunity da NASA, podem ter contribuído para eliminar parte da água de Marte. O fenómeno aconteceu no ano passado, quando uma forte tempestade de poeira bloqueou a luz solar na superfície do planeta, evitando que a sonda recarregasse as suas baterias durante semanas.

As tempestades de poeira não são uma novidade na superfície de Marte, especialmente na primavera e no verão do hemisfério Sul marciano, que ocorrem durante dias e podem cobrir regiões do planeta do tamanho dos Estados Unidos. Por sua vez, as tempestades que circundam o planeta são imprevisíveis e, muitas vezes, podem durar meses.

Há milhares de milhões de anos, Marte possuía uma atmosfera rica em água líquida, deixando até hoje evidências de que existiam rios, lagos e até mesmo oceanos no Planeta Vermelho, que cobriam aproximadamente 20% da superfície marciana.

Mas Marte perdeu a sua barreira protetora – ou, como quem diz, o seu campo magnético – permitindo que as partículas solares removessem a maior parte da sua atmosfera, resultando assim na perda de capacidade de suportar água líquida, explica a NASA.

Geronimo Villanueva, da NASA, trabalhou em conjunto com uma equipa de cientistas da ESA e da Roscosmos para confirmar o potencial poder das tempestades de poeira neste fenómeno. Os cientistas suspeitavam que estas tempestades elevam as moléculas de água a 80 quilómetros ou mais da sua altitude na superfície, onde o ar rarefeito e a radiação solar separam as moléculas de água em átomos de hidrogénio e oxigénio.

“Quando levamos água para partes muito mais altas da atmosfera, ela evapora facilmente”, explicou o investigador.

Num artigo científico publicado na Nature no dia 10 de abril, Villanueva e os seus colegas relataram a descoberta de evidências de recuo do vapor de água através da sonda ExoMars Trace Gas Orbiter.

A sonda mediu as moléculas de água em diferentes altitudes antes e depois da tempestade de 2018, o que permitiu aos cientistas observar pela primeira vez que todos os tipos de moléculas de água alcançam a “região de escape” da atmosfera superior, uma importante visão de como a água pode estar a desaparecer de Marte.

Através desta importante descoberta, os cientistas pretendem inferir a quantidade de água que fluía no Planeta Marciano antigo e quanto tempo demorou a desaparecer.

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