As suricatas fazem uma “dança de guerra” para assustar os inimigos

Uma nova investigação concluiu que as suricatas fazem uma espécie de “dança de guerra” para assustar os inimigos e proteger o seu território.

De acordo com a revista Newsweek, uma equipa de cientistas analisou as interações entre diferentes grupos de suricatas no Kalahari, na parte sul-africana, durante onze anos.

“O nosso trabalho mostra que as interações entre estes grupos nunca são tolerantes, que a maioria envolve alguma forma de agressão e que uma minoria resulta em violência física”, afirmou Mark Dyble, investigador da University College London que liderou a equipa.

No estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B, os investigadores explicam que observaram dez grupos de suricatas, constituídos por uma média de 20 animais. Quando se encontravam, a equipa identificou várias combinações de seis comportamentos diferentes nas 422 interações registadas (que geralmente duravam cerca de 20 minutos).

“A maior parte da nossa pesquisa concentrou-se na cooperação e em como trabalham em conjunto para criar os seus filhos. No entanto, existe outro lado. As suricatas são altamente competitivas e territoriais, com agressões regulares entre grupos”, disse Dyble à revista.

Os diferentes tipos de comportamentos documentados foram: observação inicial do grupo rival; perseguição ao grupo rival; realização de uma dança de guerra; recuo da interação; escavar a toca do grupo rival e manter um contacto físico agressivo.

Segundo o estudo agora publicado, cerca de 65% das interações resultaram nos grupos a perseguir outros ou a fazer a tal dança, na qual os mamíferos enfiam a cauda no ar e ficam com o pelo eriçado. Uma possível razão para isso acontecer, segundo a publicação, pode ser fazer com que o grupo pareça maior.

86% das interações acabaram com um dos dois grupos a recuar antes que a briga realmente acontecesse. Mas 9% dessas interações terminaram em lutas violentas nas quais pelo menos uma suricata acabou por morrer.

“A maioria das lutas termina depois de um grupo afugentar o outro. Existe uma clara vantagem relativamente ao tamanho de grupo — grupos maiores ganham quase sempre. A maior parte das agressões é iniciada pelo macho e pela fêmea ‘dominantes’. Os grupos perdedores recuam em direção ao centro do seu território”, refere o cientista.

“No entanto, mesmo quando estas interações não resultam em violência física, isto pode ter consequências territoriais, com os grupos perdedores a mudarem-se para tocas mais perto do centro do seu território e os vencedores a moverem-se para tocas mais distantes do centro do seu”.

“A violência com animais geralmente envolve um indivíduo a lutar com outro. Esta agressão coordenada entre grupos que vemos nas suricatas é algo bastante raro e já se pensou que era uma coisa única dos seres humanos. Ao entender como e porquê estes animais lutam, podemos obter pistas sobre a evolução da violência e da guerra em humanos”, conclui o investigador.

  ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

Retrato de Monsieur Lavoisier e a sua esposa Marie-Anne-Pierrette Paulze.

Análise revela composição secreta debaixo de retrato de Lavoisier

Um icónico retrato do químico francês Antoine-Laurent de Lavoisier e da sua esposa, Marie-Anne, mostrou ter uma composição escondida debaixo dele. Antoine-Laurent de Lavoisier foi um químico francês fundamental para a revolução deste campo científico no …

Combustíveis: governantes "não fizeram o trabalho de casa"

A presidente executiva da OZ Energia, Micaela Silva, defendeu que o “Governo devia intervir menos” no mercado dos combustíveis, porque é liberalizado e não tem margens excessivas de comercialização, mas é “muito penalizado” pela quantidade …

Implante cerebral permite que paciente totalmente cega consiga ver formas e letras

Os cientistas da Universidade Miguel Hernández de Elche (UMH), em Espanha, fizeram com que uma mulher completamente cega conseguisse ver formas simples e letras, através da colocação de um implante no seu córtex visual. Os investigadores …

Teoria dos primatas pedrados. Podem os cogumelos mágicos ter sido a chave para a nossa evolução?

A teoria já era conhecida desde os anos 90, mas um novo estudo veio trazê-la à baila novamente. O argumento é de que os cogumelos com efeitos psicadélicos podem ter ajudado a tornar os nossos …

Ainda sem fumo branco para o OE, Bloco e PCP reúnem órgãos máximos

O PCP e o Bloco de Esquerda reúnem hoje os respetivos órgãos máximos entre congressos com a proposta orçamental para 2022 no centro do debate. As conclusões da reunião da Mesa Nacional do BE serão apresentadas …

Sismo de 4,9 em La Palma e novo colapso do cone do Cumbre Vieja

A ilha espanhola de La Palma registou hoje um sismo de 4,8 de magnitude, no dia em que o vulcão voltou a sofrer um colapso no cone principal, causando grandes derrames de lava. O sismo foi …

Algas vivas sensíveis à luz (um tipo de cianobactérias chamado Synechocystis) injetadas num girino

Podia ser ficção científica, mas não é. Injetar algas no sangue dos sapos pode ajudá-los a respirar

Os sapos adotam várias técnicas de respiração ao longo da sua vida. Agora, uma equipa de cientistas alemães desenvolveu um novo método que permite que os girinos "respirem" graças à introdução de algas na sua …

As misteriosas auroras de Úrano foram finalmente detalhadas ao pormenor pelos cientistas

Auroras de Úrano foram captadas pela primeira vez em 2011 através do telescópio Hubble Space, mas as suas origens representam ainda mistérios que os cientistas não conseguem esclarecer. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram moldar a …

Domingo invulgar: 17 grandes jogos para ver, em poucas horas

A ementa começa em França, ao meio-dia, e acaba no Chile, já depois das oito da noite. Não estamos perto do Carnaval mas vem aí um "domingo gordo" no futebol. Vários jogos grandes, uns mais mediáticos …

Sporting 1-0 Moreirense | Capitão Coates embala leão

O Sporting igualou hoje o FC Porto na liderança provisória da I Liga portuguesa de futebol, ao vencer em casa o Moreirense, por 1-0, em jogo da nona jornada. O capitão Sebastián Coates marcou, aos …