Sporting, dos 0 pontos à qualificação na 5.ª jornada: só 3 equipas fizeram o mesmo

Após duas jornadas o campeão português ainda não tinha pontuado. Está apurado, ainda antes da última ronda. Um feito raro desde que há Liga dos Campeões.

O Sporting voltou à Liga dos Campeões em 2021 e começou muito mal: goleado em casa por 1-5 contra o Ajax, com vários recordes indesejados em Alvalade, e logo a seguir derrota por 1-0 em Dortmund.

Duas jornadas, zero pontos e já se começava a fazer contas de apuramento para a Liga Europa. Era preciso ganhar contra o Beşiktaş nos dois jogos seguintes, para continuar numa prova UEFA.

De facto, o Sporting ganhou (goleou) os turcos nos dois duelos seguintes mas fez mais: venceu em casa o Borussia Dortmund por 3-1 e, à quinta jornada, está realmente apurado…para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A Liga Europa não entra no calendário do campeão português, desta vez.

Esta qualificação também teve o “dedo” do Borussia, que fez o percurso inverso do Sporting: ganhou nas duas primeiras jornadas e perdeu nas três seguintes – duas vezes contra o Ajax e uma contra o Sporting. Os alemães ainda podem igualar os portugueses na classificação do Grupo C mas o Sporting leva a melhor no confronto directo.

Zero pontos após duas jornadas, nove pontos e apuramento após cinco jornadas. Alguma vez isto tinha acontecido na Liga dos Campeões?

Sim. Só três vezes em quase 30 anos, mas sim.

O Bayer Leverkusen foi a primeira equipa a conseguir esta reviravolta na classificação. Em 2002 perdeu contra o Olympiacos (por 6-2!) na estreia e depois foi derrotado pelo Manchester United. Mas venceu sempre nas jornadas seguintes, frente a Maccabi Haifa (duas vezes) e Olympiacos. E já não precisou da última jornada porque tinha vantagem no confronto directo com o Maccabi, tal como acontece agora entre Sporting e Borussia. Refira-se que, neste caso, o Bayer apurou-se para a segunda fase de grupos da Liga dos Campeões, que existia nessa altura.

Em 2006 aconteceu o mesmo, no grupo do…Sporting. O Inter Milão foi o protagonista: perdeu em Alvalade (golo de Caneira) e diante do Bayern Munique, mas depois derrotou duas vezes o Spartak Moscovo e precisamente o Sporting. Entretanto, Sporting e Spartak nunca venceram entre as segunda e quinta jornadas, por isso o Inter ficou logo apurado.

A terceira e última excepção foi o Marselha, em 2010. Derrotados por Spartak Moscovo e Chelsea nos dois primeiros jogos, os franceses venceram depois o Žilina (7-0 no segundo duelo, e fora de casa) e também o Spartak. A vantagem no confronto directo com os russos assegurou o apuramento à quinta jornada.

Bayer, Inter e Marselha. E agora o Sporting. Esta lista poderia ter também o actual Barcelona: se os catalães tivessem vencido o Benfica nesta terça-feira, já estariam apurados (e perderam nas duas primeiras jornadas, contra Bayern Munique e Benfica).

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Menção honrosa para outras nove equipas que conseguiram apurar-se para a fase seguinte da Liga dos Campeões, depois de terem zero pontos no arranque da terceira jornada – mas só conseguiram o apuramento na última ronda: Dínamo Kiev, Newcastle, Werder Bremen, Lyon, Panathinaikos, Galatasaray, Arsenal, Tottenham e Atalanta

Menção especial para um caso diferente: o AC Milan, em 1994.

Os italianos, que até tinham sido campeões europeus meses antes, após duas jornadas tinham… -2 pontos. Como?

Perderam contra o Ajax e venceram na segunda jornada. Como?

Venceram o Casino Salzburgo nessa segunda jornada mas viriam a perder quatro pontos (o resultado foi anulado e ainda perderam dois pontos extra), por decisão da UEFA.

Essa recepção aos austríacos ficou marcada pelo episódio que envolveu Otto Konrad, o guarda-redes do Salzburgo que foi atingido por uma garrafa de água atirada por um adepto do AC Milan. Dedução de dois pontos e os dois jogos seguintes em casa não foram em San Siro – passaram para Trieste, a quase cinco horas de Milão.

E há mais: após três jornadas, o AC Milan tinha -1 ponto. Empatou na terceira ronda. Mas três vitórias nos três jogos que faltavam chegaram para a qualificação.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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