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Amorim é o sexto da dinastia Varandas (mas “não é um all-in financeiro”)

Andre Kosters / Lusa

Rúben Amorim foi esta quinta-feira apresentado oficialmente como novo treinador do Sporting, mostrando-se “ciente” e “preparado” para o desafio que tem pela frente. O presidente dos leões garantiu que a contratação do ex-SC Braga não altera o orçamento desenhado da próxima época desportiva.

Oriundo do SC Braga, Rúben Amorim custou ao Sporting 10 milhões de euros, valor que fazem deste o treinador mais caro da história do futebol português.

Rúben Amorim, que antes de chegar ao Sporting passou também pelo Casa Pia e pelo Braga B, torna-se assim no 6.º treinador da era de Varandas, o 4.º da presente época.

Na apresentação oficial, mostrou-se pronto para colocar a equipa principal de futebol do Sporting no caminho das vitórias, admitindo também que “talvez tenha escolhido o desafio mais difícil a pensar no futuro”.

“Estou ciente do desafio. Para mim é um orgulho enorme estar nesta casa, defender estas cores e, independentemente do momento, sei a grandeza deste clube. Acredito no clube e espero que acreditem em mim. O meu foco é no trabalho e no futebol interessa quem ganha. Estou preparado, há uma grande exigência e vou fazer o máximo para honrar”.

Com 11 encontros ainda por disputar na I Liga, Rúben Amorim não quer ouvir falar de reforços, explicando que falou com presidente e pretende avaliar os jogadores do plantel, que devem provar que merecem vestir a camisola leonina.

Não falámos em reforços, tenho de ver o plantel e a formação, mas falámos da ideia que há para o clube e fiquei muito motivado. Sei do desafio e não sou ingénuo, queremos fazer as coisas com tempo. Toda gente tem de provar que merece estar no Sporting, todos têm de provar isso, incluindo eu”, disse.

Amorim “não é um all in financeiro”

O presidente do Sporting, que falou antes de Rúben Amorim, dizendo que era com um” grande prazer” que estava a apresentar o novo treinador do Sporting, frisou que esta contratação não representa um “all in financeiro” para o clube.

“O treinador certo poderá valorizar um plantel em 30 a 40 milhões de euros (…) Por vezes, o que é barato sai caro. E o que é aparentemente caro sai barato. O nosso critério foi a competência (…) Não temos dúvidas de que Amorim será demasiado grande para o futebol português”, começou por dizer Varandas.

“Sabemos que se este treinador fosse apresentado daqui a três meses noutro clube deste país, seria uma boa jogada. Aqui é um risco. É a nossa escolha, muito por estar alinhado com aquilo que queremos no futebol, de potenciar jogadores (…) Estamos completamente alinhados e hoje arranca a época 2020/2021 para o Sporting. Queria agradecer ao Silas e a toda a equipa técnica. Teve grande dignidade enquanto foi treinador do Sporting”, concluiu.

Salvador puxa da ética

O presidente do Sporting de Braga defendeu esta quinta-feira que não devia ser possível o Sporting contratar Rúben Amorim a meio da época futebolística, porque “pode desvirtuar a competição”, considerando que as regras devem ser alteradas.

“As ocorrências dos últimos dias devem motivar uma reflexão desportiva e ética. O Sporting de Braga foi surpreendido com um movimento de um clube seu concorrente, curiosamente o que nos persegue na tabela, e que, à luz dos regulamentos e dos contratos, conseguiu assegurar o nosso treinador”, disse António Salvador durante a apresentação do novo treinador, Custódio Castro.

Por isso, Salvador disse “perceber quem argumenta que situações destas podem desvirtuar as competições” e lembrou o exemplo da Liga espanhola “onde esta contratação não seria possível”, defendendo “um debate alargado em prol do futebol português” sobre este tema.

“Num momento como este, o SC de Braga nunca poderia negociar, nem ceder, mas cabe às leis e regulamentos garantir um futebol acima de qualquer questão moral e ética”-

António Salvador historiou o processo, recordando que o Sporting o contactou “há pouco mais de uma semana, no regresso de Glasgow”, onde o Braga defrontou o Rangers para a Liga Europa (derrota por 3-2).

“O Frederico Varandas pediu-me uma reunião, não sabia para o que era, e fui surpreendido quando me disse que queria entrar em acordo pelo Rúben Amorim. Avançou com determinada verba, mais dois jogadores e uma percentagem do passe do Palhinha, mas o Braga não queria negociar o treinador e como tal a reunião terminou”, contou.

Como “as notícias” se foram adensando nesse sentido, propôs a Rúben Amorim renovar por mais uma temporada e rever as condições salariais, tendo feito notar ao técnico que, se quisesse sair, o Sporting teria que pagar a cláusula de rescisão.

O Rúben Amorim foi muito correto, disse que percebia [a posição do Braga] e que, se não fosse para o Sporting, ficaria com muito gosto em Braga”, disse, frisando também a correção do clube ‘leonino’.

O líder ‘arsenalista’ admitiu o “timing inesperado” da apresentação do novo treinador, “o quarto da época”, lembrando que foi Abel Ferreira quem começou a temporada, tendo-lhe seguido Ricardo Sá Pinto e Rúben Amorim, e confessou sentir-se “frustrado” por ver mais uma vez interrompido o trabalho de um treinador que lançou.

Claro que é uma frustração: todos os anos ter que fazer equipas, suceder treinadores, fazer treinadores, preparar treinadores para a concorrência e para grandes clubes europeus, mas por outro lado também é gratificante para o nosso clube e para quem trabalha aqui no dia a dia. Mas custa, e muito, porque só nós sabemos o que passamos para que tudo isso seja colmatado sem que haja problemas, maus resultados ou desestabilização”, acrescentou, emocionado.

Custódio “é da família”

António Salvador destacou o “conhecimento profundo” de Custódio do que é o Sporting de Braga e da sua filosofia desde que foi criada a cidade desportiva.

O Custódio é da família, um dos nossos, este é um dia marcante para ele e para todos nós. É o líder certo para continuar a conduzir este excelente grupo de jogadores, vamos alcançar grandes feitos, maiores dos que temos conquistado”, disse.

Custódio, que assinou um contrato por duas épocas e meia, com uma cláusula de rescisão de 15 milhões de euros, tem apenas o nível I de treinador de futebol.

O presidente dos ‘arsenalistas’ frisou que o técnico será “certamente julgado pelos resultados, mas não pelas suas aptidões e competências”, acusando os responsáveis do futebol português de impedirem o treinador de melhorar a sua formação.

“Tentou inscrever-se em junho do ano passado para tirar o nível II e III e não aceitaram porque tinha que ter um ano de estágio. Como é possível? Que resolvam esta embrulhada que ninguém percebe isto”, disse.

Custódio, que orientava os juvenis do Sporting de Braga, reconheceu que chegar a treinador da equipa principal era o seu objetivo, mas não imaginava que pudesse ser tão rapidamente. “Quando o assunto é Sporting de Braga, estou sempre disponível para tudo porque confio nas pessoas com quem trabalhei alguns anos. Sei da exigência que é representar o Braga e estou preparado para ela, temos um grande plantel e uma grande equipa e é com grandes expectativas que abraço este grande desafio”, disse.

 

  ZAP // Lusa

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