Sentir-se doente serve para ajudá-lo a melhorar mais rapidamente

As reações do nosso corpo quando estamos doentes podem ser cruciais no combate à infeção. Estas alterações podem ser fundamentais para nos ajudar a melhorar mais rapidamente.

Todos sabemos como é estar doente. Sentimo-nos cansados, talvez um pouco deprimidos, com menos fome do que o habitual, mais facilmente nauseados e talvez mais sensíveis à dor e ao frio.

O facto de a doença vir com um conjunto distinto de características psicológicas e comportamentais não é uma nova descoberta. Na terminologia médica, o sintoma do mal-estar abrange alguns dos sentimentos que surgem com o adoecer. Há quem use o termo “comportamento de doença” para descrever as mudanças de comportamento que ocorrem durante a doença.

Os profissionais de saúde geralmente tratam esses sintomas como pouco mais do que efeitos colaterais de ter uma doença infeciosa. Mas estas mudanças podem realmente fazer parte de como combatemos a infeção.

Investigadores norte-americanos propõe agora que todos estes aspetos de estar doente são características de um sentimento a que chamam de “lassidão“. E é uma parte importante de como os seres humanos trabalham para recuperar de uma doença. Um estudo foi publicado, em setembro, na revista científica Evolution and Human Behavior.

O corpo define prioridades

O sistema imunológico humano é composto por um conjunto complexo de mecanismos que ajudam a suprimir e eliminar organismos – como bactérias, vírus e vermes parasitas – que causam infeções.

Ativar o sistema imunológico, no entanto, gasta muita energia do seu corpo. Isto apresenta uma série de problemas que o seu cérebro e corpo precisam de resolver para combater a infeção de maneira mais eficaz.

A febre é uma parte crucial da resposta imune a algumas infeções, mas o custo de energia para elevar a temperatura é particularmente alto. Há algo que se possa fazer para reduzir esse custo?

Comer ou não comer é uma escolha que afeta a luta do seu corpo contra infeções. Por um lado, os alimentos fornecem energia ao corpo e alguns alimentos contêm compostos que podem ajudar a eliminar patógenos. Mas também é preciso energia para digerir os alimentos, o que desvia os recursos do seu esforço imunológico total.

Os investigadores propõe que as mudanças distintas que ocorrem quando ficamos doentes ajudam-nos a resolver esses problemas automaticamente. Claro que estas mudanças dependem do contexto. Embora possa fazer sentido reduzir a ingestão de alimentos para priorizar a imunidade quando o doente tiver muitas reservas de energia, seria contraproducente evitar comer se o doente estiver esfomeado.

A doença como um sentimento

Então, como é que o corpo organiza as respostas vantajosas à infeção? As evidências analisadas sugerem que os seres humanos possuem um programa regulador. Quando deteta sinais de infeção, o programa envia um sinal para vários mecanismos funcionais no cérebro e no corpo. Eles, por sua vez, alteram os padrões de operação de maneiras úteis para combater a infeção.

Este tipo de programa de coordenação é o que alguns psicólogos chamam de sentimento: um programa computacional desenvolvido que deteta indicadores de uma situação recorrente específica. Quando surge uma determinada situação, o sentimento orquestra mecanismos comportamentais e fisiológicos relevantes que ajudam a resolver os problemas em questão.

Alguns destes programas de coordenação estão alinhados com as intuições gerais sobre o que constitui um sentimento. Outros têm funções e características que normalmente não consideramos “emocionais”.

Alguns psicólogos sugerem que estes programas provavelmente evoluíram para responder a situações identificáveis que ocorreram de maneira consistente ao longo do tempo evolutivo, que afetariam a sobrevivência ou a reprodução dos envolvidos.

Os investigadores aplicam agora a ideia destes programas emocionais à experiência de estar doente e esperam que ajude a resolver problemas de importância prática. Do ponto de vista médico, seria útil saber quando a lassidão está a fazer o seu trabalho e quando está com defeito. Os prestadores de serviços de saúde teriam uma noção melhor de quando deveriam intervir para bloquear certas partes da lassidão e quando deveriam deixá-los em paz.

PARTILHAR

RESPONDER

Metro de Nova Iorque pede à Apple para melhorar sistema de reconhecimento facial

A autoridade que gere o metro de Nova Iorque, nos Estados Unidos, pediu à gigante tecnológica Apple para melhorar o reconhecimento facial dos seus dispositivos depois de serem observados vários passageiros a retirar a máscara …

Rival da Tesla diz que o seu carro terá uma autonomia de 832 quilómetros

A empresa Lucid Motors, concorrente direta da Tesla no mercado automóvel elétrico, afirma que o seu carro Air terá uma autonomia de 832 quilómetros. A confirmar-se a autonomia deste carro, o automóvel da Lucid Motors ultrapassará …

Moradores das Maurícias estão a cortar o próprio cabelo para ajudar a evitar um desastre ambiental

Moradores das Maurícias estão a cortar o seu próprio cabelo para para tentar minimizar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio janponês encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha. Estima-se que …

Atalanta 1-2 PSG | Reviravolta épica vale bilhete para as “meias”

Um final impróprio para cardíacos e o epílogo perfeito num excelente jogo. O PSG esteve a perder desde o minuto 27, mas em apenas três minutos dos descontos deu a volta ao texto diante da …

Um emblemático transplante nos EUA aconteceu graças a um coração "roubado"

Um dos primeiros transplantes de coração realizados no mundo aconteceu no Estados Unidos. O que muitos não sabem é que este caso de sucesso também deu aso ao primeiro processo civil no país por homicídio …

"Pandemia de sem-abrigo" nos EUA. Há 30 milhões de pessoas sob risco de despejo

Nos Estados Unidos da América avizinha-se uma "pandemia de sem-abrigo". Até ao final de setembro, 30 milhões de norte-americanos estão em risco de despejo devido à covid-19. Nos Estados Unidos, a pandemia de covid-19 pode estar …

Tráfego nas autoestradas cai para quase metade. Foi o pior trimestre de sempre

A rede da Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de Autoestradas ou Pontes com Portagens (APCAP) registou de abril a junho "o pior trimestre de circulação e tráfego médio desde que há registos", recuando 46% devido …

Bielorrússia cortou acesso à internet e tentou fazer com que parecesse um acidente

No seguimento da reeleição de Alexandr Lukashenko na Bielorrússia, multiplicam-se os apagões de internet. O Governo diz que se trata de um ataque cibernético, mas há suspeitas de que seja um plano do presidente. Os protestos …

Resgatados 28 cães sem registo ou vacinas de barracões onde também vivia a proprietária em Lisboa

Vinte e oito cães foram retirados pela PSP terça-feira de barracões em Lisboa onde também vivia a proprietária, avança a agência Lusa, detalhando que os animais serão depois colocados para adoção.  Os animais foram posteriormente recolhidos …

Pela primeira vez em 300 anos, é possível visitar esta ilha em Cabo Cod

Pela primeira vez em 300 anos, uma ilha ao largo da costa de Cabo Cod, península em forma de gancho no estado norte-americano de Massachusetts, está aberta ao público. A Ilha Sipson é propriedade privada desde …