Rui Tavares acredita que o Livre vai formar um grupo parlamentar e pede a Costa que se deixe de “meias palavras”

LIVRE / Facebook

Rui Tavares acredita que vai conseguir expandir a representação do partido no parlamento e acusa os partidos maiores de tentarem excluir o Livre dos debates televisivos.

Em entrevista à Renascença, Rui Tavares comentou as ambições do Livre depois de ter perdido a representação parlamentar que conseguiu em 2019 com a saída de Joacina Katar Moreira do partido.

Sobre se esta saída prejudicou a credibilidade do Livre, o candidato afirma que o “caminho de recuperar credibilidade é um caminho que se faz mostrando trabalho” e que as palavras não chegam.

“Se fizermos o nosso caminho corretamente, e apresentarmos razões de credibilidade que é falar das propostas que interessam ao país; se dermos garantias, e a minha candidatura, aqui falo do ponto de vista pessoal, é também uma garantia de que o Livre volta ao parlamento para ficar, e para valer, e para se organizar como partido de esquerda verde europeia de que Portugal tanto precisa”, aponta.

Para além de querer segurar o lugar conquistado em 2019, a meta do Livre é criar um grupo parlamentar. “É muito importante que o Livre tenha um Grupo Parlamentar”, afirma, lembrando a exclusão inicial do partido dos debates e acusa os maiores partidos de se entenderem para “tacita ou explicitamente” não incluírem os partidos com deputados únicos nos confrontos televisivos.

Rui Tavares também sublinhou algumas das bandeiras do partido, como o Rendimento Básico Universal (RBI) que defende que “todas as pessoas devem ter direito a um mínimo de dignidade e que se todas tiverem, isso beneficiará a economia como um todo”.

O candidato comparou também o financiamento necessário para os projectos piloto do RBI defendidos pelo Livre com as propostas de outros partidos. “Há um projecto piloto desenvolvido no Canadá, que durou dois anos e que foi até aos 30 milhões de dólares. Nós estamos a falar dessa ordem de grandeza. Só para lhe dar ideia: há propostas de partidos que preveem cortes fiscais com os quais vamos perder dois mil milhões de euros. Significa cem vezes mais“, refere.

O Livre quer também subir o salário mínimo nacional até aos 1000 euros, mas o PS quer ficar-se pelos 900. Se o aumento proposto pelos socialistas se concretizar, já terá sido feita “uma parte do caminho que achamos necessário, que é o de, pelo menos, a aproximação ao espanhol”.

Sobre a discussão entre se se deve priorizar a subida do salário mínimo ou do salário médio, Rui Tavares responde directamente: “o Livre considera que é um erro político e económico achar que as duas são prioridades diferentes“.

Já em relação à Função Pública, os ordenados devem subir tal como os outros, mas é também precisa uma reforma na Administração. “Um dos nossos grandes problemas da nossa força de trabalho tem sido o das baixas qualificações. Há gente que acha que não se pode resolver o problema. Nós dizemos que é possível resolvê-lo”, afirma, propondo o uso dos fundos europeus para o financiamento destas medidas.

Tavares pressiona também o PS a explicar já o caminho que quer seguir pós-eleições caso não consiga a maioria absoluta e descreve a clarificação de António Costa até agora como “feita por meias palavras“.

“Nós estamos a poucas semanas do voto, sem uma clarificação clara de uma série de partidos. Quanto ao Livre, estamos de consciência tranquila. Desde o início dissemos sempre a mesma coisa: se houver uma maioria de esquerda, somos parte da solução, e queremos que a solução seja por escrito. Um acordo escrito é um governo escrutinado”, remata.

Rui Tavares concorreu também nas listas de Fernando Medina nas últimas autárquicas, mas não comenta a possibilidade de o ex-autarca de Lisboa assumir a pasta das Finanças caso o PS forme o próximo governo

Não ponho as coisas no pano individual, o que eu sei é que o Livre no acordo de coligação que conseguiu para Lisboa conseguiu coisas muito importantes”, conclui.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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