Cientistas desenvolveram uma retina humana em laboratório

Cientistas da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, desenvolveram a partir do zero tecido da retina humana para aprender como é que são compostas as células que nos permitem ver o mundo a cores.

Os cientistas concentraram-se no desenvolvimento de células que nos permitem ver o azul, o vermelho e o verde – ou fotorrecetores de três cones no olho humano. Apesar de a maioria das experiências sobre a visão serem feitas em cobaias e peixes, nenhuma dessas espécies tem a visão diurna e colorida dos seres humanos. Assim, a equipa criou o tecido do olho humanos em laboratório.

A autora principal do estudo, publicado Science, Kiara Eldred, referiu que é a visão de cores tricromática “que nos diferencia dos outros mamíferos”. “A nossa equipa tentou descobrir que caminhos é que as células percorrem para nos proporcionar esta visão especial a cores.”

Durante vários meses, à medida que as células cresciam em laboratório e se transformavam em tecido retiniano, a equipa descobriu que as células que detetam o azul se materializavam primeiro, seguidas pelas de deteção de vermelho e verde.

Além disso, chegaram à conclusão de que a chave para a troca molecular é o fluxo e refluxo do hormónio da tiróide. A glândula da tiróide, que não estava no laboratório, não controla o nível deste hormónio, mas o próprio tecido ocular sim.

Quando entenderam que era a quantidade do hormónio da tiróide que ditava se as células se tornariam recetores azuis, vermelhos ou verdes, descobriram então que conseguiam manipular o resultado, criando retinas oculares que, se fizessem parte do olho de um ser humano, veriam apenas o azul, ou o verde ou o vermelho.

A descoberta de que o hormónio tireoidiano é essencial fornece informações sobre por que os bebés prematuros, que reduziram os níveis dos hormónios tireoidianos por não terem o suprimento materno, têm uma incidência maior de distúrbios da visão.

Estas descobertas são apenas o primeiro passo. No futuro, os cientistas gostariam de usar organóides para aprender ainda mais sobre a visão de cores e os mecanismos envolvidos na criação de outras regiões da retina, como a mácula. Como a degeneração macular é uma das principais causas de cegueira nas pessoas, entender como cultivar uma nova mácula pode levar a tratamentos clínicos inovadores.

 

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