Receitas sem papel podem atrasar porque metade dos médicos não tem Cartão do Cidadão

Apenas metade dos médicos têm Cartão do Cidadão ou da sua Ordem, o que deverá dificultar a implantação da receita médica sem papel, já que os clínicos precisam deste instrumento para prescreverem desta forma, que avançará em setembro.

A situação levou os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) – responsável pelo projeto de desmaterialização da receita médica – e a Ordem dos Médicos a assinarem um protocolo para promover a adesão dos clínicos ao mundo digital.

Numa sessão de esclarecimento com a comunicação social, o presidente dos SPMS considerou que “um médico do Serviço Nacional de Saúde [SNS] sem Cartão do Cidadão é uma vergonha”.

“Um médico moderno tem Cartão do Cidadão e usa a Internet”, acrescentou Henrique Martins.

O processo de prescrição, dispensa, faturação e conferência de medicamentos, começa precisamente nos médicos, os quais precisam de ter a sua assinatura digital ativada no Cartão do Cidadão ou da Ordem dos Médicos.

Para tal, o principal software das unidades do SNS foi “adaptado”, cabendo agora aos privados adquirirem o software indicado.

Foram adquiridos 42 mil leitores do Cartão do Cidadão para as unidades de saúde poderem proceder à receita sem papel e, nos últimos seis meses, foi a vez de as farmácias também se adaptarem digitalmente.

A dispensa sem papel arrancará na segunda quinzena de setembro, mas apenas no “núcleo duro”, ou seja, num conjunto de instituições do norte (dez) e sul (sete) do país que envolvem hospitais e centros de saúde.

Segundo Henrique Martins, o Hospital de Barcelos manifestou a intenção de ser a primeira destas unidades a não ter papel no percurso de prescrição de fármacos.

Em 2016, será a vez dos restantes hospitais e cuidados de saúde primários e, em 2017, já não deverá existir emissão de receitas em papel, em todo o sistema de saúde.

Esta desmaterialização terá exceções, até porque existem dois milhões de portugueses sem Cartão do Cidadão.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Numa situação em que o doente pretenda que seja outra pessoa a ir levantar o medicamento, como o poderá fazer, uma vez que o cartão de cidadão não pode ser “emprestado” (até porque o doente pode estar a precisar dele, por exemplo, se for conduzir, ou simplesmente se for andar na rua (já que é obrigatório ter o cartão de cidadão no caso de ser abordado por um polícia))?

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