Provas de ADN salvaram Marcellus Williams da pena de morte (à ultima hora)

Missouri Department of Corrections

Marcellus Williams foi condenado à pena de morte pelo esfaquemaento de uma jornalista em 1998

Marcellus Williams tinha sido condenado à pena de  morte, pelo esfaqueamento de uma mulher em 1998. A execução, que estava prevista para acontecer na passada terça-feira, foi adiada devido ao surgimento de novas provas de ADN.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Às seis da tarde – 1h da manhã em Lisboa -, Marcellus Williams ia morrer. A administração da injeção letal estava no calendário da prisão estatal em Bonne Terre, no estado do Missouri, nos EUA, mas não chegou a acontecer.

Foi na última hora, pouco antes da execução que o governador do estado, Eric Greitens, travou a execução, depois de novas provas relacionadas com a análise de ADN terem colocado em causa a sentença.

Em 1998, Williams tinha sido condenado pelo esfaqueamento de Felicia Gayle, de 42 anos, uma repórter do St. Louis Post-Dispatch, durante uma tentativa de assalto à casa.

Os advogados de Williams, agora com 48 anos, dizem que os resquícios de ADN encontrados na arma no crime não correspondem ao ADN de Williams, mas sim ao de um outro elemento do sexo masculino desconhecido, enquanto o procurador de St. Louis reforçou que havia “zero hipóteses” de Marcellus ser inocente.

Segundo a CNN, o Ministério Público, que continua a opor-se à ilibação de Marcellus, acredita que não é de estranhar que não haja ADN na faca porque, quando foi preso, Williams usava luvas. Além disso, o suspeito usou uma gabardina da cena do crime até à esquadra para cobrir uma t-shirt manchada de sangue.

No entanto, Greg Hampikian, o especialista forense contratado pelos advogados de defesa, explicou que, além de nem as amostras de cabelo recolhidas na cena do crime nem a pegada encontrada no local serem de Marcellus Williams, “quando se esfaqueia alguém, há grandes probabilidades de transferir o ADN, por causa da força aplicada“, o que não aconteceu, havendo apenas vestígios de ADN de outro homem.

As amostras de ADN “não são suficientes para incriminar alguém, mas são suficientes para ilibar alguém“, continuou Hampikian.

Contudo, as autoridades dizem que é possível que Williams tenha usado luvas durante o crime. “O nosso departamento está convencido de que Marcellus Williams é culpado e pretende seguir em frente”, disse o vice-chefe do gabinete da procuradoria-geral de Missouri, Josh Hawley.

A polícia refere que Williams foi apanhado com vários objetos pessoais de Felicia Gayle no carro e que vendeu o computador do marido da jornalista. Dizem ainda que Henry Cole, um colega de cela de Marcellus, e Laura Asaro, sua namorada, testemunharam que o homem era culpado.

PUBLICIDADE

Os advogados dizem que durante o julgamento, em 2001, as provas de ADN não estavam disponíveis e que foram os testemunhos destas duas pessoas, também criminosos condenados, que incriminaram Williams.

O governador Greitens disse, entretanto, que vai escolher um painel com juízes ainda a exercer e outros já reformados para analisar o caso, mas não há data conhecida para a entrega deste parecer.

“Estamos aliviados e agradecidos ao governador Greitens por ter travado a pressa dos procuradores do Missouri e ter pedido o estabelecimento de uma quadro de especialistas que possam analisar o caso que agora contém novas provas de ADN que apoiam a presunção de inocência”, disse Nina Morrison, advogada da organização contra a pena de morte Innocence Project.

“Apesar de muitos americanos terem ideias muito diferentes sobre a pena de morte, há um consenso geral que aqueles que são condenados à morte devem ter todas as opções esgotadas antes de serem executados e o governador, hoje, honrou esse princípio”, acrescentou ainda Morrison.

Os defensores do fim da pena de morte nos Estados Unidos, que ainda existe em 31 estados, entregaram ao governador Greitens mais de 185 mil assinaturas contra a execução de Williams. Desde 1976 foram condenadas à morte, e morreram, 1458 pessoas. Há neste momento mais de 2000 pessoas nos chamados “corredores da morte” à espera do dia da execução.

PUBLICIDADE

Em Portugal, celebrou-se em julho o 150º aniversário da abolição da pena de morte.

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.