Protestos contra as medidas de contenção da pandemia voltam a agitar a Europa

VLN NIEUWS / EPA

Motins em Roterdão contra as novas medidas para conter a pandemia

Vários países na Europa têm apertado nas medidas para conter o aumento de novos casos. Milhares de populares têm saído às ruas para manifestar o seu degrado.

Nos últimos dias, com o aumento de casos de covid-19 e vários governos a apertarem as medidas de contenção dos contágios, muitos países europeus têm vivido protestos contra as novas restrições.

Os Países Baixos têm notado os protestos mais acesos em várias cidades, como Roterdão, Haia, Enschede, Groningen, Tilburg ou Leewarden. Já desde sexta-feira que milhares de pessoas têm saído às ruas, havendo registo de motins e vandalismo.

Mais de 100 pessoas já foram detidas e quatro ficaram feridas nos confrontos contra a “política 2G”, que define o encerramento mais cedo de lojas, restaurantes e lojas e restrições para quem não tem certificado de vacinação.

A cidade de Haia está já em estado de emergência. Este domingo, dois jogos de futebol para a primeira divisão chegaram a ser interrompidos por adeptos que queriam entrar nos estádios, apesar das regras impedirem que os eventos desportivos tenham público a assistir.

A Bélgica também tem sido palco de manifestações. Em causa estão novas regras que alargam o uso obrigatório de máscara a partir dos 10 anos e a obrigatoriedade do teletrabalho quatro dias por semana.

Os profissionais de saúde têm também de ser vacinados contra a covid-19. “Os sinais de alarme estão a piscar no vermelho“, alertou recentemente o primeiro-ministro Alexander De Croo, agora que o país têm mais de 2000 pessoas internadas.

No domingo, um protesto juntou 35 mil pessoas em Bruxelas, tendo pelo menos um manifestante e três polícias ficado feridos. Um dos agentes teve de ser operado.

A Áustria, que tem estado nas notícias por ser um dos países que mais tem apertado o cinto ao aprovar o confinamento para não-vacinados e que recentemente se tornou o primeiro país europeu a tornar a vacina obrigatória para toda a população elegível, também tem notado contestação nas ruas.

Cerca de 40 mil pessoas encheram as ruas de Viena no sábado contra o novo confinamento e vacinação obrigatória que arranca em Fevereiro de 2022. A Áustria tem actualmente a terceira maior taxa de novos casos do mundo.

Apesar dos protestos, não houve confrontos ou violência na capital austríaca, havendo apenas um caso isolado em que a polícia usou gás pimenta.

Na Croácia, 15 mil pessoas manifestaram-se em Zagreb contra a proibição de entrar em edifícios públicos sem certificado de vacinação.

Já em Itália, os protestos tiveram uma dimensão mais pequenas. Cerca de 3000 pessoas juntaram-se no Circus Maximus, em Roma, contra o “passe verde” — o certificado de vacinação que é obrigatório nos locais de trabalho, restaurantes, cinemas, teatros, recintos desportivos e transportes públicos em viagens longas.

O Ministro do Interior francês, Gerald Darmain, condenou também as manifestações que tiveram lugar na ilha de Guadalupe, um território francês nas Caraíbas, onde 29 pessoas foram detidas depois de bloquearem as estradas e incendiarem carros.

Em causa está a exigência do certificado para se entrar em restaurantes, cafés, espaços culturais, recintos desportivos e fazer viagens longas. Os profissionais de saúde também têm obrigatoriamente de se imunizar.

Na Irlanda do Norte, centenas de pessoas manifestaram-se contra os certificados de vacinação à porta da autarquia de Belfast. É agora obrigatório estar vacinado ou apresentar um teste negativo para se poder entrar no mercado de Natal da cidade.

O governo também tornou obrigatória a vacinação para se frequentar discotecas, bares e restaurantes a partir de 13 de Dezembro.

Recorde-se que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já manifestou grande preocupação com o aumento de casos de covid-19 na Europa e alertou para a possibilidade de 500 mil pessoas poderem perder a vida com a doença até Março se não forem adoptadas medidas de contenção.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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