Político canadiano expulso do parlamento por chamar opositor de “racista”

O político canadiano Jagmeet Singh, que lidera o Novo Partido Democrático de esquerda, foi expulso da Câmara dos Comuns durante o dia de quarta-feira, depois de chamar Alain Therrien,  membro do partido Bloc Québécois, de ‘racista’.

Segundo noticiou a NPR na quinta-feira, Therrien se opôs a uma moção que visava reconhecer o racismo sistémico na Royal Canadian Mounted Police (Polícia Real do Canadá, em tradução livre).

A moção, segundo partes lidas em voz alta por Singh, solicitava uma revisão do orçamento do órgão policial e a divulgação dos relatórios de uso da força. A moção também mencionava “vários povos indígenas que morreram nas mãos” daquela força policial “nos últimos meses”.

Singh afirmou ter ficado chocado com o voto “não” de Therrien. “Olhei para trás e vi-o não apenas a dizer ‘não’, mas também a fazer contato visual comigo e a acenar com a mão”, contou, referindo ainda que, depois disso, foi obrigado a sair do parlamento. “Naquele momento, fiquei com raiva”, acrescentou.

Imediatamente após a votação, Singh esclareceu à liderança da Câmara dos Comuns que chamou Therrien “de racista” e que acreditava mesmo no que tinha dito, recusando-se a desculpar-se, tendo então sido expulso pelo resto do dia.

Mesmo depois de ser expulso, Singh – que é sikh e o primeiro líder desta minoria num partido político federal -, não se desculpou.

“Nesse gesto, vi exatamente o que tem acontecido por tanto tempo. As pessoas não vêem o racismo como uma grande coisa, não vêem o racismo sistémico e a matança de povos indígenas como uma grande coisa, não vêem os negros a ser objeto de violência e a ser mortos como uma grande coisa”. Naquele “momento eu vi a face do racismo”, rematou.

Na quinta-feira, informou a CBC, o líder do Bloc Quebecois, Yves-François Blanchet, defendeu a ação do seu partido, negando que Therrien tivesse feito o gesto descrito por Singh. Blanchet também exigiu que Singh se desculpasse com o partido e disse que o parlamento deve ter impor uma punição “severa” se Singh se recusar.

Já o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, mostrou na quinta-feira o seu apoio público a Singh.

  ZAP //

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