Encontrada poeira interestelar na Terra mais velha do que o Sistema Solar

(dr) Hope Ishii / University of Hawaii

Os cientistas afirmam que as partículas recolhidas da atmosfera terrestre, originalmente depositadas por cometas, são mais antigas do que o Sistema Solar e podem dar mais informação sobre como os planetas e estrelas se formaram.

Segundo o Science Alert, estas partículas cósmicas viveram pelo menos 4,6 mil milhões de anos e viajaram distâncias incríveis, de acordo com a nova pesquisa sobre a sua composição química.

A equipa de cientistas por trás da investigação, publicada esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), está confiante de que esta poeira interestelar se trata dos materiais básicos que compõem os corpos planetários do nosso Sistema Solar.

“As nossas observações sugerem que estes grãos representam a poeira interestelar pré-solar sobrevivente que formou os blocos de construção de planetas e estrelas”, afirma a investigadora que lidera o estudo, Hope Ishii, da Universidade do Havai, em Manoa.

Esta é uma rara oportunidade de estudar os materiais que formaram o Sistema Solar. Os cientistas pensam que se desenvolveu a partir de um disco colapsado de nuvens gasosas à volta do Sol e, agora, têm precisamente nas mãos a poeira que pode ter estado por lá.

O silicato, o carbono e o gelo amorfos que existiam há mil milhões de anos foram obliterados ou retrabalhados nos planetas que existem nos dias de hoje, com a forma original dessas substâncias agora encontrada sobretudo nos cometas.

Em vez de capturar um cometa, a equipa utilizou amostras recolhidas por uma nave estratosférica da NASA, partículas queimadas de cometas que eventualmente se instalaram na atmosfera da Terra, e analisou a sua composição química.

Em particular, analisaram um subgrupo de partículas vítreas chamadas GEMS (vidro com metal incorporado e sulfetos), que medem apenas algumas centenas de nanómetros de largura – menos de um centésimo da espessura de um fio de cabelo humano.

Os resultados mostraram que estes grãos foram originalmente fundidos num ambiente que era frio e rico em radiação. Uma pequena quantidade de calor foi suficiente para quebrar as ligações nos grãos, o que sugere que se formaram num lugar como a nebulosa solar externa – a nuvem de poeira, hidrogénio, hélio e outros gases ionizados dos quais o Sistema Solar se formou.

“A presença de tipos específicos de carbono orgânico nas regiões interna e externa das partículas sugere que o processo de formação ocorreu inteiramente a baixas temperaturas”, explica um dos investigadores, Jim Ciston, do Lawrence Berkeley National Laboratory.

“Assim sendo, estas partículas de poeira interplanetárias sobreviveram desde antes da formação dos corpos planetários do Sistema Solar e fornecem uma perspetiva sobre a química desses antigos blocos de construção”, acrescenta.

De acordo com os investigadores, algum tipo de material orgânico pegajoso pode ter sido responsável por estes grãos se terem aglomerado e, eventualmente, formar planetas nos primeiros anos frios e vazios do Sistema Solar.

“Este é um exemplo de investigação que procura satisfazer o desejo humano de entender as origens do nosso mundo”, conclui Ishii. Os cientistas vão agora continuar a investigar mais a fundo estas partículas cósmicas.

ZAP //

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