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Pico da pandemia está aí (mas “estamos melhor do que o cenário mais optimista traçado”)

O número elevado de casos de covid-19 é “o novo normal” a que temos de nos habituar. Mas, apesar do recorde de infectados batido nesta quarta-feira, “estamos ligeiramente melhor do que o cenário mais optimista traçado na semana passada”.

As palavras são do epidemiologista Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em declarações ao Diário de Notícias.

Este especialista refere que o número de casos detectados indicia que, “entre quinta e sexta-feira, atingiremos o pico desta onda” pandémica.

Portugal registou, nesta quarta-feira, o recorde diário de infecções, com mais de 40 mil novos casos. “É o prenúncio de que estamos a atingir o pico desta onda epidémica”, avança Carlos Antunes.

“A quarta-feira é um dia fundamental na monitorização da doença, porque é o dia em que temos registados todos os casos acumulados nos dias anteriores, nomeadamente no fim de semana. Se mesmo assim ficámos com um número de casos muito próximo da semana anterior, em termos de ordem de grandeza, quer dizer que é um prenúncio de que estamos a atingir o pico”, explica o epidemiologista.

“O novo normal” a que vamos ter de nos habituar

Este aumento de casos resulta do impacto da nova variante do SARS-CoV-2, a Ómicron, que está a ser menos letal do que a Delta, mas que, ainda assim, está a pressionar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao nível dos cuidados de saúde primários.

“Neste momento, podemos dizer que estamos ligeiramente melhor do que o cenário mais optimista traçado na semana passada”, considera Carlos Antunes no DN, prevendo que, no pico, Portugal deverá ter “uma média de casos a sete dias da ordem dos 32 mil a 34 mil”.

Estes números ficam “longe do cenário mais optimista apresentado na semana passada e isso é muito bom”, constata ainda.

Carlos Antunes também realça que o elevado número de casos “é o novo normal e vamos ter de nos habituar a viver com ele”. “Vamos ter valores muito elevados em relação ao número de casos, mas com um relativo impacto no SNS, embora com menos pressão na actividade hospitalar, já que a pressão está toda na linha da frente, na Saúde Pública e na Medicina Geral e Familiar”, nota.

“No que toca à letalidade, o impacto também é reduzido comparado com o do ano passado quando a variante Delta era predominante”, frisa o epidemiologista.

Esperar que “o vírus esgote o seu combustível”

A preocupação maior agora é ver como vai evoluir o vírus a partir do dia 14 de Janeiro, quando são aliviadas as medidas de restrição. Vai haver um “aumento na mobilidade e nos contactos e isso pode dificultar a diminuição da incidência”, analisa Carlos Antunes.

O epidemiologista não duvida de que vamos ter “um número elevados de casos até que o vírus esgote o seu combustível” e “comece a ter dificuldade em encontrar pessoas susceptíveis que possa infectar, porque cada vez mais teremos ou pessoas que já foram infectadas ou que estão vacinadas”.

Será, nessa altura, que se começará a atingir a chamada fase endémica da infecção. Mas, para já, é “uma incerteza” quando é que isso vai acontecer, conclui o epidemiologista.

  ZAP //

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