“Pelo interesse da nação, demiti-me”: o anúncio do (ex-)presidente da Burkina Faso

thegff / Flickr

O Presidente do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré

Roch Marc Christian Kaboré

Roch Kaboré decidiu deixar o cargo depois do golpe de estado. Um tenente-coronel passa a liderar o país.

Os militares já tinham anunciado que as coisas iam mudar a nível político, no Burkina Faso, e agora surge a confirmação: o presidente demitiu-se.

O anúncio da demissão foi dado nesta terça-feira, através de uma carta de Roch Kaboré, que era o presidente do país africano desde 2015.

Pelo interesse da nação, na sequência dos acontecimentos de domingo, decidi demitir-me das minhas funções de Presidente, chefe de governo e comandante supremo das Forças Armadas Nacionais”, informou o agora ex-presidente.

Esta foi a reacção de Roch Marc Christian Kaboré (que já terá escapado a uma tentativa de homicídio), depois das movimentações que se tornaram mais visíveis deste sábado passado.

No domingo houve motins de militares, reconhecidos pelo exército – que no entanto assegurou que estava tudo controlado.

Depois do recolhimento obrigatório, nesta segunda-feira o presidente foi detido pelos militares, que anunciaram – também pela televisão – que tomaram conta do poder no país. O Governo e o Parlamento foram dissolvidos, as fronteiras foram encerradas.

“Temos como único objetivo permitir ao país regressar ao caminho certo e reunir todas as forças para lutar pela sua integridade territorial e pela sua soberania“, explicou um porta-voz do até aqui desconhecido Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração.

Os militares consideram que há muito tempo que não se vive em segurança no Burkina Faso e, com apoio de muitos habitantes, queixavam-se da actuação do presidente Kaboré, que não conseguia unir os cidadãos locais.

Este golpe de estado, garante o movimento, não originou qualquer derramamento de sangue e decorreu sem qualquer episódio de violência física.

Para já, o líder do Burkina Faso é o tenente-coronel Paul Henri Sandaogo Damiba.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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