Descobertas pegadas fossilizadas com mais de 10 mil anos. São a trilha pré-histórica de uma mãe com um bebé ao colo

Uma equipa de investigadores internacional descobriu o trilho pré-histórico mais comprido do mundo no Novo México, nos Estados Unidos. O novo estudo conta a historia de uma mulher que carregou um bebé nos braços durante 1,5 quilómetros há mais de 10 mil anos atrás.

Um novo estudo publicado na ScienceDirect analisou algumas pegadas de um lago seco conhecido como playa, que contém centenas de milhares de rastos fossilizados que datam de há 13 mil anos até ao final da última era glacial (cerca de 11.550 anos atrás).

A trilha de pegadas fósseis mais longa do mundo – mais de 1,5 quilómetros – fica no Parque Nacional White Sands, nos Estados Unidos, e conta a história de uma mãe ainda jovem que caminha com um bebé ao colo num terreno lamacento e perigoso. Além disso, trata-se de um trilho impressionante devido ao facto de ser tão linear, mostrando que quem o percorreu não se desviou do percurso, nem na ida, nem na volta.

“Uma adolescente ou pequena mulher adulta fez duas viagens, separadas por várias horas, carregando uma criança pequena ao colo pelo menos numa das direções”, disse a autora principal do artigo, Sally Reynold, citada pela SciNews.

Os investigadores encontraram evidências de que as marcas correspondem às pegadas de uma mulher – mas a equipa de investigadores não descarta a hipótese de ser um adolescente do sexo masculino – a carregar um bebé nos braços, movendo-o do braço esquerdo para o direito quando se cansava e, ocasionalmente, colocando a criança no chão para poder descansar.

“Quando vi as pegadas intermitentes do bebé pela primeira vez, veio-me à cabeça uma cena familiar”, disse um dos autores do estudo, Tommy Urban, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

As pegadas do caminho de ida tinham uma “forma de banana” e eram morfologicamente mais variadas e mais largas, o que evidencia a carga extra causada pelo peso do bebé, que teria cerca de dois anos ou até um pouco menos. Já as pegadas do caminho de volta, pelo contrário, eram mais definidas e estreitas.

“Podemos colocar-nos nos sapatos, ou pegadas, dessa pessoa e imaginar como seria carregar uma criança ao colo entre um braço e o outro, enquanto caminhamos por um terreno difícil e cercado de animais potencialmente perigosos”, disse Reynold.

Segundo o The Conversation, naquela altura o chão era lamacento e estava molhado e escorregadio, mas as pessoas caminhavam a mais de 1,7 metros por segundo – sendo que a velocidade considerada confortável para se caminhar é cerca de 1,2 a 1,5 metros por segundo, numa superfície plana e seca.

Além disso, o artigo sugere que mamutes, preguiças gigantes, felinos dente-de-sabre, lobos, bisões e camelos (agora extintos) frequentavam aquele local e os seus rastos terão ajudado a determinar a idade do trilho.

“Descobriu-se que preguiças gigantes e mamutes colombianos cruzaram os rastos humanos daquele caminho, mostrando que o terreno hospedava humanos e animais de grande porte ao mesmo tempo. Isso torna a jornada feita por este indivíduo com a criança pequena ao colo muito perigosa“, diz o artigo.

As pisadas humanas, no entanto, destacam-se por terem sido feitas em linha reta e por se repetirem umas horas mais tarde, já sem o bebé, revela o estudo.

“Esta pesquisa é importante para nos ajudar a entender os nossos ancestrais, como viviam e as suas semelhanças e diferenças connosco”, disse Reynold.

ZAP //

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13 COMENTÁRIOS

    • Mais fácil perguntar que ler a porcaria do texto?
      há pegadas intermitentes de criança/bebê no percurso
      Que quando somem, obviamente foi colocada no colo.
      Gente preguiçosa, meu Deus! o texto nem é tão grande

      Dá inclusive pra saber que a criança é trocada entre braço esquerdo e braço direito, devido à deformações na pegada em virtude do centro de gravidade da pessoa mudar, conforme o peso está à equerda ou à direita..
      Gente, isso meio básico.. por favor vamos ler mais, cultura geral faz bem à saúde mental

      • Mais intrigante é o facto de já não haver bé-bé na viagem de volta !!!
        (não é bebê… isso é brasileiro… aqui fala-se português !)

        • Que bom então que nós aqui do Brasil não falamos português , nós falamos “brasileiro”!! essa é boa ! Só podia ter vindo ai de Portugal mesmo , afinal eles se acham tão cultos (com algumas excessões é claro ) .

    • Podem questinar-se, mas num artigo científico não se especula sobre algo acerca do qual não há qualquer documentação. Num artigo científico apenas se expõem factos e a interpretação desses factos. Há pegadas. Numa direcção foi transportado um bebé, no regresso esse bebé já não é transportado.
      Especular sobre o que terá acontecido à criança é ficção e um bom assunto para um novelista.

      • “No shit” !!!
        Se há coisa que os cientistas fazem é especular ! Isso, meu caro, faz parte do processo de investigação !
        Eu que o diga ! 🙂
        Se não sabias, ficas com essa informação !

        • Os cientistas especulam com base em factos e evidências. Cada um desses factos e evidências têm um grau de certeza. Agora, depende do cientista atribuir uma determinada relevância a cada um. Neste caso, especular sobre um evento tal, não teria qualquer base factual, logo não terá qq relevância. Portanto, para quê especular?

          Com isto não quer dizer que não existem cientistas que o façam. Os negacionistas são poucos mas um bom exemplo.

        • Faz parte do processo de investigação especular, não fazer ficção. Não o trato por tu, porque não trato por tu os meus colegas ou os meus alunos na universidade. Espero que o seu orientador tenha o cuidado de rever as suas especulações.

  1. Levanto uma hipótese. As pegadas de “regresso” serão damesma pessoa? Podem muito bem ser de outra pessoa a utilizar o mesmo trilho.

    • Sera que não compararam a anatomia dos pés antes de chegar a tal conclusão? Se não o fizeram é puramente especulativo. A ciência assim o exigiria para provar tal facto. Se o cientista o fez ou não, isso não sei.

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