Paulo Branco e Terry Gilliam disputam filme em tribunal

(dr) HarperCollins Publishers

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Terry Gilliam foi um dos fundadores do coletivo britânico de humor Monty Python

O produtor Paulo Branco acusou hoje o realizador Terry Gilliam de estar a fazer uma rodagem “clandestina e ilegal” de “O homem que matou D. Quixote” e afirmou que detém os direitos do filme, já confirmados em tribunal.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Branco disse que o Tribunal da Grande Instância de Paris confirmou hoje a validade do contrato com o realizador Terry Gilliam para a produção daquela longa-metragem, cuja rodagem já decorreu em Portugal e está a ser concluída em Espanha.

O projeto, que envolve vários países, chegou a contar com produção de Paulo Branco, mas o realizador acabou por não concretizar a parceria, alegadamente por problemas de financiamento, optando por trabalhar com outra produtora portuguesa, a Ukbar Filmes.

Paulo Branco diz agora que viu confirmada em tribunal a legalidade do contrato assinado entre ambos, referindo que a exploração e utilização das imagens do filme “não poderá, de modo algum, existir sem o acordo prévio da Alfama Films”, que dirige.

Fonte da produção internacional disse à agência Lusa que existem também a correr vários processos em tribunal contra Paulo Branco, em Espanha e no Reino Unido por causa do mesmo filme.

Por seu turno, contactada pela Lusa, Pandora da Cunha Telles, da Ukbar Filmes, disse que a produção do filme não foi informada ou notificada de qualquer decisão judicial.

O homem que matou Dom Quixote“, um projeto antigo de Terry Gilliam, é uma coprodução entre Portugal, Espanha, França, Bélgica e Inglaterra, com um orçamento total de 16 milhões de euros, dos quais 1,2 milhões de euros foram gastos em Portugal.

Com a rodagem a chegar ao fim, Terry Gilliam já apresentou as primeiras imagens do filme esta semana no Festival de Cinema de Cannes, em França. Com argumento de Terry Gilliam e Tony Grisoni, “O homem que matou Dom Quixote” é uma transposição do conhecido romance de Miguel Cervantes para a atualidade.

A rodagem do filme que Gilliam está a tentar realizar desde 2000 deveria ter começado no passado mês de Outubro, depois de o produtor português ter adquirido os direitos da obra a um produtor britânico.

Mas as filmagens não arrancaram na altura, e realizador deu a entender que a responsabilidade seria Paulo Branco, e nomeadamente da falta de dinheiro para o projecto, que foi orçado em 16 milhões de euros.

Terry Gilliam publicou na altura, no seu perfil do Facebook, o que parece um cartaz de cinema com uma fotografia de Paulo Branco, no lugar do leão da MGM, com a nota “como os filmes são adiados – Lição 1: tem cuidado com a pessoa em que decides confiar“.

Em entrevista à BBC, Terry Gillian afirmou que Paulo Branco lhe tinha prometido reunir “todo o dinheiro a tempo”, mas que, afinal, “provou-se que não tinha dinheiro“.

Terry Gilliam foi um dos fundadores do coletivo britânico de humor Monty Python e é autor de várias longas-metragens desde a década de 1970, entre as quais “Monty Python e o cálice sagrado”, correalizado com Terry Jones, “Os ladrões do tempo”, “Brasil“, “A fantástica aventura do Barão”, “12 Macacos” e “Os irmãos Grimm”.

Ainda sem data de estreia, o filme “O homem que matou Dom Quixote” terá distribuição nacional assegurada pela NOS.

// Lusa

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