Pandemia mortal de 1918 pode ser a fonte da gripe sazonal moderna

Vírus sequenciados a partir de amostras de pulmão centenárias mostraram como é que a gripe pode evoluir com o tempo.

As atuais infeções de gripe sazonal podem ser causadas por descendentes diretos do vírus que esteve por detrás da pandemia de gripe de 1918.

Essa pandemia foi o surto de doença mais mortal do século passado. Infetou um terço da população mundial e causou até 100 milhões de mortes.

Em comparação, calcula-se que a atual pandemia de covid-19 tenha causado cerca de 15 milhões de mortes, até ao final do ano passado, segundo a New Scientist.

O agente patogénico de 1918 ainda é um mistério — os cientistas só demonstraram que a gripe foi causada por um vírus na década de 1930, e não há uma grande quantidade de amostras do vírus pandémico.

Algumas das amostras vieram de corpos enterrados no Alasca, que permaneceram congelados até serem desenterrados nos anos 90.

Agora, a equipa do especialista Thorsten Wolff e outros investigadores do Instituto Robert Koch, na Alemanha, analisou melhor o vírus.

Os investigadores sequenciaram geneticamente o vírus de 13 amostras de pulmão, armazenadas em museus de Berlim e Viena, que vieram de pessoas que morreram com infeções pulmonares, entre 1901 e 1931.

Três das amostras provinham de pessoas que morreram em 1918, e duas destas amostras foram recolhidas antes do pico pandémico nos meses finais desse ano.

Ao comparar os vírus das amostras de 1918 com os vírus da gripe sazonal dos tempos modernos, a equipa de Wolff descobriu que os vírus modernos poderiam ter descido do vírus de 1918.

Os investigadores também compararam as duas amostras de vírus retiradas durante os primeiros meses da pandemia de 1918 com dois vírus pandémicos que infetaram pessoas mais tarde, em 1918, quando a pandemia atingiu o seu pico.

Descobriram que tinha havido alterações num gene que codifica a nucleoproteína, uma proteína que envolve o material genético do vírus.

Trabalhos anteriores sobre células sugerem que estas mutações podem ajudar o vírus a escapar às defesas do sistema imunitário humano, desencadeadas por químicos chamados interferões, que visam a nucleoproteína.

É provável que o vírus tenha evoluído para melhor se esquivar ao sistema imunitário, sublinha Wolff, no estudo publicado a 10 de maio na Nature Communications.

Durante cerca de uma década após a pandemia de 1918, as mortes por gripe diminuíram exponencialmente, o que pode ter acontecido devido a uma maior imunidade da população, ou o vírus tornou-se “menos letal“, conclui Wolff.

  ZAP //

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