O planeta mais próximo do nosso sistema solar desapareceu

L. Calçada, N. Risinger / ESO

Conceito artístico do exoplaneta  Alpha Centauri Bb (à direita), em óribta de  Alpha Centauri B, a estrela mais próxima do Sol (ao fundo)

Conceito artístico do exoplaneta Alpha Centauri Bb (à direita), em óribta de Alpha Centauri B, a estrela mais próxima do Sol (em cima, ao fundo)

Alpha Centauri Bb é um planeta parecido com a Terra, em orbita da estrela mais próxima do nosso sistema solar. Melhor dizendo, era um planeta parecido com a Terra.

Os astrónomos já não têm a certeza de que o planeta mais próximo do nosso sistema solar ainda exista. Aparentemente, Alpha Centauri Bb desapareceu.

Um novo estudo sugere agora que Alpha Centauri Bb foi, desde sempre, apenas um erro de dados.

O planeta foi descoberto por uma equipa internacional de astrónomos, da qual fazia parte o português Nuno Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.

A descoberta foi publicada em 2012, na revista Nature.

De acordo com os cálculos dos astrónomos, o novo planeta parecia ter uma massa semelhante à da Terra e orbitava a sua estrela a uma distância semelhante à de Mercúrio em relação ao sol.

O melhor de tudo, acerca deste planeta, é que estava a apenas 4,3 anos-luz de distância de nós, muito mais perto do que a maioria dos restantes exoplanetas semelhantes à Terra.

Isso, claro, se realmente existir.

Um ano depois da sua descoberta, um outro grupo de investigadores pôs em causa a sua existência, considerando não haver provas ou indícios suficientemente fortes de que o planeta fosse real.

Recentemente, uma outra equipa conseguiu mostrar que subtis padrões de luz causados por acontecimentos não planetários do sistema de estrelas – por exemplo, a atracção de outras estrelas ou actividade na superfície da estrela – poderiam ser confundidos com um planeta.

Assim, segundo o líder da equipa, Vinesh Rajpaul, investigador da Universidade de Oxford, no Reino Unido, “Alpha Centauri Bb pode não passar de um erro de interpretação nos dados”.

Rajpaul e os colegas demonstraram esse efeito criando uma simulação de uma estrela com nenhum planeta e, em seguida, observando-a aleatoriamente.

“Quando gerámos dados sintéticos, apareceu um planeta – mesmo que não houvesse nenhum planeta”, explicou Rajpaul à National Geographic.

A nova pesquisa vai ser publicada na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Xavier Dumusque, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos EUA, que liderou a equipa que em 2012 descobriu Alpha Centauri bb, admite que Rajpaul tem um bom argumento.

“É realmente um bom trabalho”, diz Dumusque. “Não temos 100% de certeza, mas provavelmente o planeta afinal não está lá”.

Este desfecho serve de alerta aos muitos astrofísicos em busca de exoplanetas em órbita de estrelas distantes.

Os planetas são geralmente detectados de duas formas.

Uma das formas é a observação de uma diminuição no brilho de uma estrela, um sinal de que um planeta está em órbita, a passar à sua frente.

A outra forma de descobrir planetas é pela identificação de uma “oscilação”, o que sugere que a estrela está a ser puxada em torno de um planeta na sua órbita.

A percepção de oscilação, anteriormente conhecida como método de velocidade radial, foi a técnica utilizada para detectar Alpha Centauri Bb, e foi no passado usada para identificar com segurança vários planetas maiores.

Mas planetas pequenos como a Terra dificultam muito mais a identificação de um sinal genuíno do ruído de fundo, especialmente se o sistema estelar não está a ser monitorizado em permanência, como era o caso de Alpha Centauri Bb.

Felizmente, a maioria dos exoplanetas não está em risco deste tipo de erro, pois foram detectados pelo Kepler, o super-telescópio espacial que há anos observa constantemente os céus à procura de sinais de novos planetas.

ZAP / HypeScience

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