O cérebro tem toneladas de espaço para a memória

arselectronica / Flickr

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Ao contrário de smartphones, tablets e pen drives, o cérebro humano parece ter uma capacidade infinita. Ainda assim, muitas vezes temos dificuldade para decorar um simples nome, dia de anos ou número de telefone. 

Os neurocientistas têm tentado medir desde há muito tempo quanta informação cabe na memória humana, mas a tarefa torna-se quase impossível quando temos conhecimento de casos de pessoas que realizam feitos incríveis com os seus cérebros.

Um deles é o chinês Chao Lu, que em 2005, quando era um estudante universitário de 24 anos, recitou corretamente os 67.980 dígitos do número Pi (π), durante um período de 24 horas, sem intervalos. Outros génios realizaram façanhas ainda mais incríveis, lembrando-se de detalhes complexos de uma imagem, por exemplo.

Em casos raríssimos, uma lesão pode também dar azo à chamada “síndrome da sabedoria adquirida“. Foi o que aconteceu ao americano Orlando Serrel, que, aos 10 anos, foi atingido por uma bola de basebol no lado esquerdo da cabeça. De um momento para o outro, começou a mostrar-se capaz de se lembrar de inúmeras matrículas de automíveis e a fazer cálculos sobre datas de décadas anteriores.

Mas o que faz a massa cinzenta dessas pessoas superar a memória de um indivíduo comum? O que estes “super talentos” podem ensinar-nos sobre a verdadeira capacidade do cérebro humano?

Bytes cerebrais

A nossa capacidade de memória tem como base a fisiologia do cérebro, que é composto de aproximadamente 100 mil milhões de neurónios. No entanto, apenas mil milhões destes têm funções no armazenamento de recordações antigas, e são chamados de células piramidais.

Se cada neurónio pudesse armazenar apenas uma “unidade” de memória, o cérebro estaria a transbordar de informação. “A quantidade de neurónios existente não é suficiente para todas as informações adquiridas por um indivíduo”, explica Paul Reber, professor de psicologia da Northwestern University, dos EUA.

Os cientistas acreditam que, em vez disso, as lembranças formam-se nas ligações entre os neurónios e ao longo da rede neural. Cada neurónio gera extensões semelhantes a linhas do metro que se cruzam numa única estação, atravessando cerca de mil outros neurónios.

Acredita-se que é essa arquitetura que torna possível aceder a memórias ao longo de toda a teia.É por isso, por exemplo, que o conceito de céu azul pode aparecer em inúmeras lembranças discretas de fatos ocorridos num dia de sol.

Reber chama a esse efeito “armazenamento exponencial“, e é por causa deste que a capacidade de memória do cérebro “salta até à estratosfera”.

“É possível dizer que o cérebro teria muitos petabytes – e um petabyte equivale a 2 mil anos de música em formato MP3”, diz Reber. “Ainda não sabemos ao certo quantas ligações uma lembrança necessita, nem se podemos comparar a sua capacidade com a de um computador. Mas é possível afirmar que o cérebro tem toneladas e toneladas de espaço.”

O gargalo da memória

O que se sabe com certeza é que a memória humana tem alguma limitação intrínseca. Por que não conseguimos lembrar-nos de tudo o que nos chega pelos cinco sentidos – seja ao pormenor ou de todo?

Reber acredita que o cérebro, ao interpretar o mundo que nos cerca, simplesmente não consegue manter-se no mesmo ritmo da torrente de estímulos externos a que estamos expostos. “Existe um gargalo na passagem da informação dos nossos sentidos para a nossa memória”, afirma.

Fazendo uma analogia com um computador, Reber afirma que o limite da memória humana durante a vida não é o espaço no disco rígido, mas sim a velocidade de download dessas informações. “As coisas acontecem mais rapidamente do que a velocidade à qual o nosso sistema de memória é capaz de anotá-las”, conclui.

ZAP / BBC

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